André Dusek / Estadão
André Dusek / Estadão

Mercado refaz contas para o IPCA e inflação em 2019 pode se aproximar de 4%

Alta no preço da carne contribuiu para mudanças nas projeções do índice; estimativa é de inflação na casa dos 3,60% para o ano que vem

Redação, O Estado de S. Paulo

23 de dezembro de 2019 | 10h52

Os economistas do mercado financeiro alteraram a previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para o ano de 2019. Nesta segunda-feira, 23, o Relatório de Mercado Focus, divulgado pelo Banco Central, mostra que a expectativa é de que o indicador oficial da inflação no Brasil fique em 3,98% – há uma semana, a esperança era de 3,86% e há um mês estava em 3,46%.

Dentre os motivos que estão por trás da alta, destaca-se o aumento recente no valor das proteínas. Apenas neste mês de dezembro, o preço da carne vermelha subiu 17,71%. A elevada nos preços (veja mais sobre logo abaixo) foi a principal responsável em puxar para cima a inflação parcial do mês de dezembro 1,05%, frente aos 0,14% de novembro.

Por conta disso, os economistas também alteraram a previsão para o IPCA de dezembro de 2019 para 0,84% – na última semana, a previsão era de 0,72%. Há um mês, o porcentual projetado indicava inflação de 0,41%.

 A boa notícia é que, para 2020, o mercado espera que a pressão dos preços de proteína perca força e a inflação retorne seu curso recente. A expectativa do mercado é de inflação em 2020 em 3,60%, a mesma de quatro semanas atrás.

Já a taxa Selic, principal instrumento utilizado pelo BC para controlar a inflação, deve ser no final de 2020 igual a de 2019, com projeção de 4,5% ao ano. Para 2021, a expectativa é a de que ela encerre em 6,25% ao ano, ao invés dos 6% projetados há quatro semanas atrás. Para 2022, ela se manteve em 6,5% ao ano.

 

Atividade econômica

A moeda norte-americana, que deu um leve sinal de alívio ao cair de R$ 4,15 para R$ 4,10 no final do ano de 2019, não deve sofrer mais baixas em 2020, segundo indicado pelo Focus. No ano que vem, a expectativa é a de que o câmbio continue próximo aos R$ 4,10.

Já a projeção do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços finais produzidos no país, foi ampliada, passando de 1,12% para 1,16% em 2019. Para 2020, a projeção variou de 2,25% para 2,28%, marcando a sétima elevação consecutiva. Para os anos seguintes, a previsão se manteve a mesma: 2,50% em 2021 e também em 2022.

Os preços administrados, que envolvem os planos de saúde, impostos pedágios e combustíveis também devem ter altas de 5,1% para 2019 e 3,6% para 2020, conforme indicam as estimativas.

Contratos e aluguéis também ficam mais caros, conforme mostra o Índice Geral de Preços Mercado - IGP-M. A projeção antiga, que trazia aumento estimado em 6,03%, agora mostra alta de 6,58% em 2019. Já para 2020, o IGP-M elevou a estimativa de 4,17% para 4,18%.

 

Importações chinesas têm influenciado preço da carne no Brasil

Dentre os fatores que estão influenciando a alta de preços da carne no Brasil, destaca-se o elevado grau de importações pela ChinaApenas neste mês, o país importou mais de 229,7 mil toneladas de carne de porco, uma alta de mais de 150% na comparação anual e também o maior nível desde 2016.

A severa falta de oferta doméstica, devido a surtos de um tipo de peste suína africana, é um dos motivos que têm levado a China a buscar - e incentivar - a compra em territórios muito além de suas fronteiras. No entanto, o país que mais consome carne suína no mundo também tem apreciado outras variedades, ainda que mais caras, do produto.

Esse é o caso da carne bovina, que subiu cerca de 79,3% na comparação anual com novembro. Ao todo, a China importou 186,9 mil toneladas do produto. Nesse mesmo período, as importações de frango também saltaram, com alta de 70,9% e um consumo total de 77,89 mil toneladas. 

Em declarações, Jair Bolsonaro chegou a dizer que a alta dos preços no Brasil se deve à "lei da oferta e da procura" e que o preço da carne tem passado por uma pequena crise, "mas vai melhorar".

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