Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Previsões econômicas para 2022 podem repetir erros daquelas feitas para 2021

Muitos economistas erraram nas projeções feitas para o ano passado, como a da Selic em 3%, mas a taxa de juros fechou o ano em 9,25%

Luís Eduardo Assis, O Estado de S.Paulo

03 de janeiro de 2022 | 04h00

O ano de 2021 foi tão estranho que é prudente esperarmos ainda um pouco para termos certeza de que ele acabou. Não deixará saudades, principalmente para os economistas que no final de 2020 se arriscaram a fazer previsões para o ano novo.

De acordo com a pesquisa Focus, do Banco Central, de dezembro de 2020, a inflação oficial de 2021 seria de 3,3%. Na verdade, ela deve ter superado os 10%. A previsão do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) era de 4,6%. O índice fechou 2021 em 17,8%.

O resultado fiscal primário era estimado em 3% do Produto Interno Bruto (PIB). Ficou longe disso, perto de zero. O crescimento do PIB, por sua vez, seria de 3,4%, na previsão dos economistas. A estimativa hoje é de algo mais robusto, 4,5%.

Pode parecer pouco, mas essa diferença significa algo como R$ 1 trilhão a mais no PIB nominal (que cresceu mais de 16% em 2021, bagunçando todos os indicadores em que ele entra como denominador).

A previsão da Selic, por fim, também fez os economistas passarem vergonha. Estimava-se em dezembro de 2020 uma taxa de juros de 3% no final de 2021. Ficamos com 9,25% e ainda levamos como brinde a expectativa de que ela vai subir mais em 2022.

Foi muito diferente do que se previa, o que, no entanto, não deve abalar a autoconfiança dos economistas nos seus modelos de adivinhação para 2022.

Para os mais céticos e desconfiados da profissão, talvez valha a pena conferir as previsões para os signos feitas pela Marcia Sensitiva. O vídeo que circula no YouTube já teve mais de 1,6 milhão de visualizações. Bolsonaro é de Áries e Paulo Guedes é de Virgem.

Mas não é preciso ser economista nem astrólogo sensitivo para antecipar um prognóstico sombrio para os dois (e, consequentemente, para todos nós).

O maior constrangimento decorre do fato de que o Banco Central se vê obrigado a subir juros para segurar a economia e debelar a inflação no contexto de um desemprego extremamente alto.

Teremos neste ano eleitoral provavelmente os juros reais mais altos desde as eleições de 2006. Para piorar, o ariano insiste em patetices que apenas conturbam o ambiente político e são incapazes de angariar adeptos para as suas ideias erradas.

Há quem veja estratégia nessa mixórdia, mas é mais fácil perceber apenas estultice em seu estado mais puro.

O bom augúrio é que teremos a oportunidade de debater um novo projeto para o Brasil e seguir adiante, deixando para trás o martírio que nos legará esta gestão. Isso é animador. Que 2022 passe logo.

 

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