Primary dealers acreditam em novo corte no juro dos EUA

O Federal Reserve deu aos mercados financeiros exatamente o que eles esperavam, portanto, manteve inalterado o sentimento dominante de que haverá novo afrouxamento na política monetária e que isso ocorrerá mais cedo do que se previa. Dos 19 "primary dealers" entrevistados pela Dow Jones/CNBC depois de o Fed ter anunciado a redução de mais 0,50 ponto porcentual na taxa dos Fed Funds para 5,50%, 12 economistas disseram que ainda esperam por outro corte de 0,50 ponto porcentual no dia 20 de março, data da próxima reunião do Comitê de Mercado Aberto do Fed (Fomc). Seis economistas prevêem um corte de 0,25 ponto porcentual para março. Um economista, do Société Générale, acha que o corte de ontem foi o último do ano. Seis "primary dealers" não responderam à pesquisa. "Primary dealers" são as instituições financeiras credenciadas a operar diretamente com o Fed em operações de mercado aberto. Além de cortar a taxa dos Fed Funds em 0,50 ponto porcentual - resultando num corte acumulado de 1,00 ponto porcentual em janeiro -, o Fed também reduziu a taxa de redesconto de 5,50% para 5,0% e fez novo alerta de que os "riscos pesam principalmente na direção de condições que poderão gerar fraqueza econômica no futuro previsível". A redução de 1,00 ponto porcentual nas taxas de juro num período de um mês marca a mais agressiva ação do Fed em afrouxar a política monetária desde o início da gestão de Alan Greenspan. "Não houve nenhuma surpresa (ontem)", disse o economista da Paribas BNP, Eric Green, acrescentando que alguns participantes do mercado estão cruzando os dedos para uma ação ainda mais agressiva do Fed. Green acredita que as taxas de juro deverão cair em mais 1,00 ponto porcentual até junho. A BNP Paribas é uma das 5 "primary dealers" que prevêem uma queda da taxa dos Fed Funds para 4,5% até a metade do ano. Alguns economistas mudaram suas previsões para as taxas de juro esta semana, não por causa do movimento de ontem do Fed, mas em razão dos últimos indicadores que revelaram nova deterioração no crescimento econômico e na confiança do consumidor. Confiança do consumidor e PIB - Na terça-feira, a Conference Board havia anunciado a queda de 14 pontos no índice de confiança do consumidor em janeiro, para 114,4 - o nível mais baixo em quatro anos. O indicador gerou preocupações de que o consumidor irá conter os gastos e tornar a desaceleração numa recessão. Ontem pela manhã, o Departamento do Comércio informou que o PIB dos EUA cresceu apenas 1,4% no último trimestre de 2000 - a menor taxa de expansão desde o segundo trimestre de 1995, quando o PIB apresentou um crescimento de 0,8%. Um dado particularmente preocupante foi a queda de 4,7% no investimento em equipamentos e softwares durante o quarto trimestre, o que correspondeu também a primeira queda desde a última recessão econômica. Além disso, Greenspan havia declarado em seu testemunho no Congresso, na semana passada, que o crescimento econômico "provavelmente estaria muito próximo de zero neste momento". O economista senior do JP Morgan Chase, Jim Glassman, disse que mudou suas previsões "por causa da combinação dos comentários de Greenspan no Comitê de Orçamento do Senado na semana passada e dos números de gasto de capital e confiança do consumidor". O JP Morgan Chase agora prevê uma queda da taxa dos Fed Funds para 4,5% até a metade do ano, 0,25 ponto porcentual a menos do que estimava até a semana passada. Próxima reunião - Embora a redução anunciada ontem não tenha influenciado nas mudanças nos prognósticos futuros dos "primary dealers", os analistas estão em alerta para outro corte inesperado no juro antes da próxima reunião do Fomc em 20 de março. Na nota divulgada após a reunião, as autoridades monetárias disseram que as circunstâncias econômicas "pediram uma resposta rápida e firme da política monetária". Citando o uso das palavras "rápida" e "firme", a economista da Nomura Securities, Carol Stone, acredita que o Fed deu um sinal de que está preparado para fazer um novo movimento antes da próxima reunião se as condições assim exigirem. Ela acredita que as probabilidades disso ocorrer são de 50/50 e acrescentou que os números sobre o emprego - a serem divulgados na sexta-feira - serão fundamentais. O chefe de renda fixa da Fuji Securities, Don Galante, não acredita num movimento entre reuniões antes da primeira metade de fevereiro, quando está agendada o depoimento semestral de Greenspan sobre política monetária no Congresso, no dia 13. Contudo, após esse depoimento, se a confiança do consumidor se deteriorar mais, então, o Fed poderá realizar um novo corte no juro entre a última semana de fevereiro e a primeira semana de março, disse Galante. As informações são da agência Dow Jones.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.