Primeira mulher a comandar redação do 'NYT' deixa o cargo

Jill Abramson ficou menos de três anos na principal função editorial do jornal; Dean Baquet será seu substituto

O Estado de S.Paulo

15 de maio de 2014 | 02h05

A The New York Times Co. anunciou ontem a substituição da editora executiva Jill Abramson, em uma decisão considerada surpreendente pelo mercado, já que a jornalista estava havia menos de três anos no principal cargo da redação. Ela será substituída por seu editor adjunto, Dean Baquet.

Abramson, de 60 anos, foi a primeira mulher a ocupar o cargo editorial máximo do The New York Times. Na época da escolha, Baquet também foi promovido. Ele havia sido escolhido pessoalmente por Abramson para ser seu editor adjunto.

Baquet, vencedor do prêmio Pulitzer como repórter e ex-editor do Los Angeles Times, será o primeiro negro a ser editor executivo do New York Times.

Em um comunicado referente à mudança, o publisher do New York Times, Arthur Sulzberger Jr., agradeceu a Abramson, mas não fez maiores comentários sobre sua saída depois de um período relativamente curto no cargo.

O jornal convocou uma reunião com seus funcionários ontem. Sulzberger explicou que a mudança havia sido feita e citou problemas gerenciais, sem fazer comentários mais específicos.

Surpresa. Em um texto publicado no próprio New York Times sobre a saída de Abramson, o jornal descreveu que a redação estava "perplexa" com a mudança repentina.

Abramson não respondeu aos primeiros pedidos de comentários sobre o tema. Ela divulgou um comunicado após o anúncio: "Apreciei muito meu período no Times. Trabalhei com os melhores jornalistas do mundo (...). Exigir que as mais poderosas instituições assumam suas responsabilidades é a missão do New York Times e foi a marca do meu período como editora executiva, (durante o qual) foram publicadas reportagens sobre a China, segredos sobre governos, personalidades ou empresas poderosas."

O predecessor de Abramson no cargo, Bill Keller, havia sido editor executivo por oito anos. Keller sucedeu Howell Raines, que saiu em 2003 após menos de dois anos no posto, na esteira do escândalo de plágio envolvendo o repórter Jayson Blair.

Mudanças. O pedido de demissão abrupto de Abramson reforça a turbulência do modelo de negócios de jornais atualmente. Ontem, a primeira mulher a chefiar o diário francês Le Monde, Natalie Nougayrède, deixou o cargo após uma disputa de poder com sua equipe.

O presidente da New York Times Co., Mark Thompson, que foi apontado ao cargo em 2012, disse ontem em nota: "Jill foi uma brilhante parceira ao longo dos 18 meses em que trabalhamos juntos. Ela está entregando a redação a Dean em perfeito estado." / REUTERS

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