Primeira plataforma ´65% nacional´ da Petrobras é concluída

A plataforma P-52 da Petrobras, uma das principais previstas para entrar em operação este ano, teve suas obras concluídas pelo estaleiro Brasfels, em Angra dos Reis, na última semana. A expectativa é de que a Petrobras e o governo preparem uma grande festa para sua inauguração. A plataforma foi a primeira a ser integralmente encomendada e construída no primeiro mandato do governo Lula, dentro dos novos requisitos de utilização de no mínimo 65% de conteúdo nacional.Apesar disso, a unidade ainda teve seu casco construído na sede da Keppel Fels (dona do estaleiro de Angra), em Cingapura. A unidade chegou ao Brasil em março do ano passado para receber os demais módulos, decks e complementos que a tornam aptas a operar.A P-52 vai produzir 180 mil barris por dia no campo de Roncador, na Bacia de Campos. Atualmente, a unidade está em fase de comissionamento, testes e pré-operação. A Petrobras investiu mais de US$ 1 bilhão na unidade, sendo que o BNDES financiou a maior parte.Além da capacidade de produção de óleo, a P-51 também vai comprimir 9,3 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia.A Petrobras não anunciou a data estimada para o primeiro óleo da unidade, mas a previsão que consta no cronograma da empresa indica ainda o primeiro trimestre de 2007 para isso ocorrer. Projeto polêmicoA estatal pode retomar o polêmico projeto de construção de um oleoduto para levar o petróleo produzido na Bacia de Campos para ser refinado em São Paulo. O projeto havia sido completamente vetado pelo governo de Rosinha Matheus e chegou a ser abandonado pela Petrobras há cerca de dois anos. Na época, a governadora argumentava que a construção do oleoduto poderia impedir a instalação de uma refinaria no Estado, principal pleito de seu governo."Não temos uma visão provinciana. Desde que o projeto se mostre dentro de uma lógica econômica, estamos dispostos a dar todo o nosso apoio", afirmou o novo secretário de Desenvolvimento do Estado, Júlio Bueno, ex-presidente da BR Distribuidora e ex-secretário de Desenvolvimento do Espírito Santo.Segundo ele, desde a primeira reunião ocorrida entre o governo estadual e a diretoria da Petrobras já houve uma retomada das conversas a respeito do Plano Diretor de Escoamento e Tratamento de óleo da Bacia de Campos (PDET) - cuja principal obra é o megaoleoduto de cerca de 800 quilômetros, que levaria 640 mil barris por dia para São Paulo.A Petrobras foi indagada sobre o assunto mas não se manifestou oficialmente. Na última terça-feira, o presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, comentou que estaria disposto a discutir com o governo "uma série de projetos" que envolvem a logística de transporte de distribuição de óleo e gás no estado.De acordo com o secretário Julio Bueno, o projeto - cujos investimentos somavam em 2005 cerca de US$ 5 bilhões - teria que ser reestudado, tanto em seu viés econômico pela Petrobras, quando pelo ponto de vista ambiental, já que um dos argumentos do governo anterior era de que haveria um forte impacto, por atravessar 37 municípios (19 no Estado), 100 rios e 17 Áreas de Proteção Ambiental."É claro que isso será levado em conta. Mas também temos a visão republicana de pensar que transportar todo o óleo apenas por navios fragiliza o Brasil, por pôr em risco o abastecimento de combustíveis na principal região consumidora", argumentou.Hoje 80% do petróleo produzido na Bacia de Campos já é transportado por navios. Mas com o crescimento de produção previsto pela estatal para os próximos cinco anos, o volume transportado abarrotaria os terminais do porto de São Sebastião, levando-o a um nível elevado de risco. Por isso mesmo, a Petrobras, quando teve seu PDET negado, adotou um projeto de investimentos alternativos que prevêem a ampliação do porto.Inicialmente, a idéia da companhia era reduzir a dependência da utilização do transporte por navios para algo em torno de 40% do volume a ser produzido na Bacia de Campos.Na época em que o PDET foi abolido, já havia até mesmo uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) composta pelas japonesas Mitsubishi, Mitsui e um consórcio de bancos, e que seria financiada pelo JBIC (banco de fomento do governo japonês). A engenharia e construção ficariam a cargo Toyo, que havia convidado quatro brasileiras para construir a parte terrestre do oleoduto: Odebrecht, OAS, Camargo Corrêa e Etesco.

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