Nacho Doce/Reuters
Nacho Doce/Reuters

Primeiras medidas serão para controlar dívida pública, diz Meirelles

Ministro da Fazenda sinalizou que demais propostas serão anunciadas em outras oportunidades; segundo ele, aumento de imposto é um entrave

André Magnabosco, Ricardo Leopoldo e Suzana Inhesta, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2016 | 12h08

SÃO PAULO - O anúncio de medidas econômicas previsto para ocorrer amanhã pode decepcionar aqueles que esperam a revelação de um amplo conjunto de soluções para a situação das contas públicas brasileiras. A sinalização, dada hoje pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, é de que o anúncio de amanhã terá como prioridade o controle no aumento da dívida pública. Outras medidas deverão ser anunciadas em outras oportunidades. Segundo Meirelles, se nada for feito, a relação entre dívida pública e PIB pode superar os 80% em alguns anos.

"Amanhã serão anunciadas as primeiras medidas para endereçar a questão da dívida pública. Outras medidas serão anunciadas no devido tempo", salientou Meirelles.

O objetivo inicial da equipe comandada por Meirelles é, segundo ele, dar uma ideia do "plano de voo, da direção" do que está sendo planejado. São medidas, ainda de acordo com o ministro, com efeitos plurianuais e impactos permanentes. A aprovação dessa "linha de ação" por parte do Congresso trará segurança a todo o conjunto da sociedade econômica, entre eles trabalhadores, empresários, aposentados.

O aumento de impostos, uma das alternativas adotadas por antigos governos sempre que a situação fiscal se deteriorava, é um entrave, dado que o tamanho da carga tributária chegou a um patamar que "introduz a ineficiência", segundo ele. Há, por outro lado, muito a ser feito do ponto de vista discricionário, segundo ele, mas a margem é pequena em função de despesas introduzidas nas contas públicas ao longo dos últimos anos. A mudança nos gastos discricionários depende de aprovação do Congresso.

Meirelles repetiu hoje que a nova equipe econômica pretende eliminar a trajetória de alta da dívida pública, estabilizá-la em "determinado momento" para depois voltar a cair. "E tem que ficar claro que não é uma mera declaração de intenção", disse. Com a aprovação de medidas de longo prazo, a atividade, a geração de empregos e os investimentos seriam retomados. "É muito importante que todo o processo de ajuste será viabilizado por uma arrecadação que seja crescente e por um País que esteja crescendo", afirmou Meirelles, confiante de que as ações a serem adotadas ajudem no crescimento do País e, consequentemente, da arrecadação.

"As medidas tomadas pelo governo não são um fim em si mesmas, são um meio", disse, após citar como a necessidade de garantir o recebimento de benefícios futuro por parte dos aposentados. "Muito obrigado e vamos trabalhar", disse Meirelles ao final da palestra feita no "Fórum Veja - O Brasil que temos e o Brasil que queremos". 

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