Primeiro a sofrer com aperto fiscal é investimento em infraestrutura, diz diretora do BNDES

Primeiro a sofrer com aperto fiscal é investimento em infraestrutura, diz diretora do BNDES

Segundo Marilene Ramos, País investe hoje menos de 2% do PIB no setor; porcentual considerado ideal é de 5%

Mariana Durão, O Estado de S.Paulo

31 Agosto 2017 | 13h36

RIO DE JANEIRO – O Brasil investe hoje menos de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) em infraestrutura, muito abaixo do porcentual ideal para desenvolver o setor (5%), e isso é reflexo do contexto fiscal, afirmou nesta quinta-feira, 31, a diretora de Infraestrutura do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Marilene Ramos.

"Na hora do aperto fiscal a primeira coisa que sofre é o investimento em infraestrutura", disse ela durante o evento InfraInvest, organizado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), pelo BNDES e pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), no Rio, que debate investimentos em infraestrutura sustentável.

Marilene avalia que o grande desafio na infraestrutura é fazer bons projetos, ter planejamento e saber como investir. Ela admitiu que falhas nesses pontos levaram a "grandes derrotas" do setor público e privado em investimentos recentes em infraestrutura. Ela citou os exemplos de projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que ficaram pelo caminho e concessões como as de aeroportos, que acabaram tendo problemas por conta de "modelagens muito otimistas".

Sem conseguir avançar em infraestrutura básica, o País deve ter ainda mais dificuldade em avançar na infraestrutura sustentável. Nesse segmento, as prioridades, segundo ela, são eficiência energética e perda de água. "E não entendemos porque há tão baixa demanda mesmo dispondo de linhas de financiamento atrativas", disse.

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Em relação à preservação da Amazônia, Marilene criticou a visão global de que essa é uma responsabilidade apenas do Brasil. "O mundo tem que acordar. Se não vierem recursos, o que vai se fazer é a infraestrutura do século passado, que não vai dar conta da preservação."

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Marilene destacou ainda que, em um contexto em que o BNDES vai financiar com juros de mercado, via Taxa de Longo Prazo (TLP), é preciso ter alternativas nesse tipo de financiamento sustentável. "Achamos que, se não tivermos linhas auxiliares com condições mais atrativas, dificilmente programas de reflorestamento vão decolar", afirmou.

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