Primeiro audiência, depois receita

Brasil é o segundo maior mercado do Google em número de acessos, mas aparece em sexto lugar quando o critério é faturamento

MARINA GAZZONI, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2012 | 03h07

Reunir uma audiência relevante é um dos primeiros passos para que um negócio prospere na internet. O segundo é descobrir como ganhar dinheiro com ele. A fórmula não vale só para empresas novatas. O Google, que faturou US$ 38 bilhões em 2011, até hoje pensa assim. "O Google pensa primeiro em lançar uma ferramenta legal para o usuário. Depois, em como gerar receita", diz o presidente da empresa no Brasil, Fabio Coelho.

Essa lógica explica por que o Brasil é um dos mercados prioritários para o Google. O País é o vice-líder em acessos tanto no buscador quanto no YouTube, site de compartilhamento de vídeos do grupo, atrás apenas dos Estados Unidos. Mas, em receita, o Brasil ainda é o sexto mercado. A empresa fatura mais nos Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido e França.

"São mercados mais maduros. A relação do brasileiro com o Google se traduzirá em receita maior com o aumento da presença das empresas na internet", explica Coelho.

Para o analista da Frost & Sullivan, Fernando Belfort, o descompasso entre receita e audiência é um trunfo do Google. "Mostra o tamanho da oportunidade que eles têm no Brasil", afirma.

A receita do Google vem, basicamente, de publicidade. Os links patrocinados respondem por 70% dos ganhos da empresa, segundo Coelho. O Google também fatura com veiculação de anúncios no YouTube e em uma rede de sites parceiros, que somam hoje cerca de 95% da internet brasileira. A companhia também vende soluções empresariais, como armazenamento de dados na nuvem.

O crescimento do investimento em publicidade online será um dos propulsores do Google no Brasil. "Só 14% do investimento em mídia está na internet no País, se considerarmos anúncios e links patrocinados. Nos EUA é 28%", diz Coelho, que também é presidente do Interactive Advertising Bureau (IAB).

Palavra-chave. A vantagem da empresa é justamente associar a ferramenta de busca com o anúncio. "O anunciante aparece na hora em que o consumidor está procurando o produto", conclui o sócio da agência de marketing digital Goomark, Luís Felipe Costa, focada em pequenas e médias empresas. Ele estima que 90% da verba publicitária de seus 150 clientes vão para o Google.

A disputa entre as empresas por links patrocinados pelas palavras-chave no Google tem refletido no preço. A estimativa da Goomark é que o custo por clique para ficar na primeira página da busca aumentou entre 15% e 25% em 2011. O preço é definido por um leilão entre os interessados em associar sua marca àquela palavra -quem pagar mais aparece no topo.

Mobile. O Google, assim como a maioria das empresas de internet, está em uma corrida para adaptar seus produtos para tablets e smartphones. Um dos trunfos da empresa para ganhar a atenção do consumidor neste ambiente é a plataforma Android, seu sistema operacional para celulares que compete diretamente com os produtos da Apple.

Celulares de marcas como Samsung, Sony e LG já vem com Android -e com acesso às ferramentas do Google, como o Gmail e o YouTube. Segundo Coelho, o Android está em mais da metade dos smartphones vendidos no Brasil.

"O Google tenta fazer com que você navegue na internet com o Chrome, tenha Gmail, pesquise no Google e assista vídeos no YouTube. O maior ativo deles é o tempo do usuário na plataforma", diz o analista da Frost & Sullivan.

Aos poucos, os brasileiros terão acesso a mais serviços. O Google Play, que permite ao usuário armazenar música, vídeos e e-books, chegará no Brasil até 2013, segundo Coelho. E abrirá o caminho para outros produtos, como o Nexus 7, o tablet do Google.

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