Primeiro-ministro da Espanha cobra mais integração na UE

O primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, voltou a cobrar nesta quinta-feira uma maior integração econômica e fiscal na União Europeia, afirmando que é preciso estabelecer uma agenda concreta de reformas. "A Europa não pode ficar parada. Na próxima semana os líderes europeus terão uma oportunidade única de dar uma mensagem clara e contundente em relação ao nosso projeto de integração", afirmou, se referindo à cúpula da UE que acontece em 28 e 29 deste mês.

ÁLVARO CAMPOS, Agencia Estado

21 de junho de 2012 | 18h25

Em um evento com empresários na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Rajou afirmou que seu governo está realizando "esforços sem precedentes para equilibrar a economia e torná-la mais flexível e competitiva". "Não é um processo nem fácil nem amável, mas meu governo está determinado a levá-lo a cabo sem vacilar", disse. "Estou muito consciente dos grandes sacrifícios que estou pedindo e vou continuar pedindo aos nosso empresários e aos cidadãos. Mas eles não serão em vão e assentarão as bases para um futuro mais estável e muito mais próspero, que vai beneficiar a todos".

Segundo Rajoy, sua agenda passa pela recuperação da competitividade, a correção de uma política de aumento excessivo dos gastos públicos e a implementação de reformas estruturais há muito adiadas. "E tudo isso em um contexto de turbulência nos mercados financeiros e de crescentes dificuldades no acesso a financiamentos", afirmou.

O primeiro-ministro espanhol explicou que as reformas estruturais e o ajuste fiscal que seu governo está realizando são de grande importância, mas reconheceu que levará tempo para que eles deem frutos. Além disso, essas ações devem ser complementadas com outras no nível da UE, que favoreçam o crescimento no curto prazo. "É preciso recuperar a confiança no euro, garantir que faremos todo o necessário para que ele continue sendo nossa moeda."

O líder espanhol voltou a defender a criação de uma união bancária na zona do euro, com uma autoridade supervisora comum, garantias de depósitos e um fundo de reestruturação e liquidação de instituições problemáticas. Ele também defendeu uma maior integração fiscal no bloco, com políticas comuns e um controle centralizado das finanças públicas. O que significa abrir mão de parte da soberania nacional, reconheceu.

Rajoy também comentou os resultados das auditorias realizadas por duas consultorias internacionais sobre o sistema bancário do país. Segundo ele, os resultados, divulgados nesta quinta-feira, mostram que a ajuda de até 100 bilhões de euros oferecida pela UE é mais que suficiente para atender às necessidades de capital das instituições.

Segundo a consultoria norte-americana Oliver Wyman, os bancos espanhóis precisariam de 51 bilhões de euros a 62 bilhões de euros em um cenário econômico adverso, enquanto a alemã Roland Berger calculou a necessidade em até 51,8 bilhões de euros.

"Reitero meu desejo de que a ajuda financeira (da UE) seja aprovada o mais rapidamente possível porque o saneamento do sistema bancário é imprescindível para a recuperação da economia da Espanha", declarou o premiê.

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