Primeiro-ministro da Grécia defende esforço fiscal e descarta calote

 Papandreou disse que 'deixar a zona do euro também não é uma opção'

Renato Martins, da Agência Estado,

22 de setembro de 2010 | 15h08

O primeiro-ministro da Grécia, George Papandreou, disse que seu país está desafiando os pessimistas ao fazer avanços fortes nas medidas de austeridade adotadas para melhorar a situação fiscal do país. Falando durante evento promovido pelo Clube Econômico de Nova York num intervalo das reuniões da Assembleia Geral da ONU, ele reafirmou que a Grécia não vai declarar moratória sobre sua dívida.

"O default não é uma opção para a Grécia. Todos os nossos esforços hercúleos do último ano têm sido focalizados para assegurar que a Grécia não entre em default", afirmou Papandreou. Ele também disse que "não existe a possibilidade de relaxarmos" nas metas trimestrais de austeridade incorporadas ao pacote de ajuda financeira do FMI e da União Europeia. "O default também não é uma opção para a Europa", acrescentou.

Indagado sobre se o fato de pertencer à zona do euro não estaria prejudicando a capacidade da Grécia de ganhar competitividade, o primeiro-ministro disse que "deixar a zona do euro também não é uma opção".

Papandreou reafirmou que o PIB da Grécia deverá sofrer uma contração de 4% em 2010, mas disse que o país deverá voltar a um crescimento saudável em 2012. "A Grécia não era uma economia competitiva porque não estava usando suas vantagens competitivas. O país estava tomando emprestado para desenvolver-se em áreas onde não era competitivo", disse o primeiro-ministro.

Ele ressalvou que o sistema bancário grego "é muito saudável", porque não tinha exposição a "ativos tóxicos" antes da crise recente. Para Papandreou, os problemas enfrentados pelos bancos do país derivam estão relacionados às suas posições em dívida soberana grega, que vão se dissipar à medida que o governo avance com a reforma fiscal.

Papandreou afirmou que o déficit do governo já se reduziu em 32% e está na via de cumprir a meta de redução de 40% até o fim deste ano. Ele citou medidas que já resultaram em uma redução de despesas da ordem de € 1,5 bilhão, entre elas a redução do número de municípios de mais de mil para 325, a redução do número de estados de 57 para 13 e a eliminação de 4 mil empresas estatais. O combate à evasão de impostos, por sua vez, já permitiu a arrecadação de € 1,2 bilhão adicional nos primeiros seis meses do ano.

O primeiro-ministro disse ainda que os bem sucedidos leilões de títulos soberanos realizados recentemente são "um voto de confiança no esforço difícil, mas sistemático, que estamos fazendo para fazer as finanças da Grécia voltarem à via correta". Ele acrescentou que, embora o programa de ajuda financeira de US$ 110 bilhões da UE e do FMI seja suficiente para cobrir as necessidades de financiamento do governo até 2012, o país poderá voltar ao mercado global de bônus "muito em breve".

As informações são da Dow Jones. 

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