Lefteris Pitarakis/AP
Lefteris Pitarakis/AP

Primeiro-ministro grego obtém o voto de confiança

Próximo passo de Papandreou é buscar a aprovação de medidas de austeridade de 28 bilhões de euros e pacote de privatizações de 50 bilhões de euros

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / PARIS

Às portas da bancarrota, o primeiro-ministro da Grécia, George Papandreou, sobreviveu ontem a um voto de confiança no Parlamento ao assegurar a maioria necessária para a posse de seu novo gabinete de governo. A moção passou com 155 votos a favor, 143 contra e 2 abstenções.

Papandreou apresentou um novo governo e pediu um voto de confiança em meio a uma rebelião interna em seu partido, o Socialista, no momento em que busca a aprovação das impopulares medidas de austeridade fiscal prometidas em troca de um novo pacote de resgate financeiro da União Europeia (UE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Agora, Papandreou deve enviar ao Legislativo um arsenal de medidas de rigor avaliado em ? 28 bilhões, além de um plano de privatizações de ? 50 bilhões.

Em nota, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, disse que o voto de confiança do Parlamento grego no governo remove "um elemento de incerteza", mas ressalvou que o governo precisa agora focar as atenções na aprovação do novo pacote de medidas de austeridade. Ele acrescentou que, se as medidas forem aprovadas na próxima semana, isso abrirá caminho para o "desembolso rápido" da quinta parcela, de 12 bilhões, do programa de crédito da UE e do FMI.

Apelo. Ao longo da sessão para a votação do voto de confiança, o primeiro-ministro grego pediu união aos deputados do Partido Socialista e a colaboração da oposição de centro-direita. "Nosso governo tem buscado consenso e gostaria de parabenizar todos os partidos, que podem ter diferentes visões, mas estão superando as divisões para enfrentar os fatos."

Segundo Papandreou, o objetivo do governo é gastar menos para equilibrar o orçamento, reduzir o déficit público e a relação dívida-Produto Interno Bruto (PIB). "Vamos tentar alcançar o equilíbrio em 2012", sustentou.

O líder da oposição conservadora, Antonis Samaras, criticou as medidas adotadas pelo governo socialista, apesar de ter se comprometido com a UE a endossar o novo governo Papandreou. "Nós não transformaremos um erro em algo consensual", afirmou, atacando a receita proposta pela UE, pelo Banco Central Europeu (BCE) e pelo FMI. "O programa de austeridade não funcionará."

Apesar das discussões ásperas, o governo socialista não apenas contava com o apoio da maioria do Parlamento na noite de ontem, como também já projetava as próximas votações no Legislativo. A primeira delas deve ser o pacote de austeridade, a ser apreciado no início de junho, segundo o novo ministro da Economia, Evangelos Venizelos.

Em contrapartida à aprovação, Bruxelas prometeu agir com celeridade. Antes mesmo do fim da votação, Durão Barroso havia prometido desbloquear ? 1 bilhão em recursos para despesas urgentes da Grécia, antes mesmo dos ? 12 bilhões da nova parcela do primeiro empréstimo - de um total de ? 110 bilhões.

Concentrados do lado de fora do Parlamento, na Praça Syntagma, milhares de gregos protestavam contra o voto de confiança, contra os planos de austeridade e contra o FMI. O movimento, porém, mostrou-se pacífico no correr da sessão legislativa. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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