Ações

Empresas de Eike disparam na bolsa após fim de recuperação judicial da OSX

Primeiro-ministro negociará ajuda brasileira a Portugal

Segundo a imprensa portuguesa, José Sócrates vai aproveitar a posse de Dilma para vender títulos da dívida

Jair Rattner, O Estado de S.Paulo

25 de dezembro de 2010 | 00h00

O jornal português I publicou como principal notícia de ontem que a viagem do primeiro-ministro português José Sócrates ao Brasil para assistir à posse da presidente Dilma Rousseff terá mais um objetivo: conseguir empréstimos para Portugal. Sócrates chega no dia 31 de dezembro e volta a Portugal no dia 2 de janeiro.

Apesar de o gabinete do primeiro-ministro negar qualquer negociação para venda de títulos da dívida durante a viagem, a ida ao Brasil acontece num momento em que Portugal está sob pressão. No dia 23 de dezembro, a agência de classificação de risco Fitch baixou o rating do país em um nível, de AA- para A+. Nesse dia, saíram os dados do total da dívida do país, de 108,098 bilhões em 30 de setembro, o que corresponde a 104,3% do PIB.

A redução do rating acontece apesar de Portugal ter conseguido diminuir o estoque de dívida no trimestre, de 104,9% para 104,3% do PIB, e de ter um programa considerado crível pela União Europeia para baixar o déficit público de 7,3% do PIB em 2010 para 4,6% em 2011.

FMI. Para 2011, Portugal vai ter que refinanciar 27 bilhões de sua dívida de longo prazo. Em seu comunicado, a Fitch afirmou que seria muito difícil que Portugal conseguisse o financiamento da dívida nos mercados durante o próximo ano, sem ter que recorrer ao Fundo de Estabilização Financeira, da União Europeia, o que conduziria a um programa de ajustes sob coordenação do FMI.

Nos mercados, Portugal é considerado um dos países mais frágeis da zona do euro, apenas em situação melhor que a Grécia e a Irlanda. Como os bancos espanhóis têm uma grande exposição à dívida portuguesa, se Portugal não conseguir pagar a dívida, a Espanha entraria em colapso, arrastando a zona do euro.

A China já teria aceitado entrar com 5 bilhões. Além de reforçar a posição política do país ao ajudar a evitar uma intervenção do FMI, as taxas de juro pagas por Portugal são superiores às que o país conseguiria se aplicasse em títulos de dívida americana.

O Timor Leste também ofereceu a possibilidade de investir uma parte do fundo soberano obtido com a venda de concessões de petróleo em títulos da dívida portuguesa. Segundo o presidente timorense José Ramos Horta, o país estaria disposto a investir até 350 milhões em papéis de Portugal.

A estratégia portuguesa de negociações bilaterais ajuda a diminuir a pressão do mercado sobre os títulos da dívida. Em novembro, Portugal terminou de refinanciar a dívida de longo prazo deste ano, conseguindo uma folga de quatro meses até a emissão seguinte de dívida.

Apesar disso, os mercados mantiveram o ataque à dívida portuguesa, puxando para cima o juro dos papéis do país no mercado secundário, chegando perto de 400 pontos-base acima da dívida alemã (considerada o padrão dentro da zona do euro). Na quarta-feira, a dívida portuguesa no mercado secundário estava em 6,7%, enquanto a alemã situava-se nos 6,2%.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.