Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Desindexação da economia é importante, afirma Joaquim Levy

Na avaliação do ministro da Fazenda, desindexação torna a política monetária menos onerosa; medida deve começar pelo setor elétrico

Adriana Fernandes e Rachel Gamarski, O Estado de S. Paulo

07 de outubro de 2015 | 10h50

Atualizada às 12h10

BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou nesta quarta-feira que a desindexação da economia é importante e que reduz as dificuldades de conduzir a política monetária e a torna menos onerosa. Conforme antecipou o Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, o ministro apoia a desindexação e está começando os trabalhos com o setor elétrico. 

"Conseguimos alcançar a estabilidade da moeda, mas como a gente ainda tem essa lembrança do tempo inflacionário e de que tudo tem que ter um reajuste igualzinho olhando para trás e é a única coisa que todo mundo olha, para trás, a gente acaba tendo inércia na economia, o que dificulta e torna a política monetária mais difícil de ser conduzida e mais onerosa", disse. 

A desclaração de Levy foi feita durante a abertura do V Congresso Internacional sobre Qualidade do Gasto Público.

Segundo Levy, a decisão de começar com o setor elétrico foi negociada com o segmento, que, segundo ele, tem ido bem e enfrentado desafios da seca com muita transparência. "A gente já começou de maneira muito focada e negociada na parte da energia para as (indústrias do) setor eletro intensivo, está sendo agora aprovada pelo Congresso e foi negociada com o setor", ressaltou. 

O ministro defendeu ainda a necessidade de medidas concretas para possibilitar a desindexação. "Temos que estar estudando medidas concretas, que não são necessariamente radicais, são medidas que você vai construindo ao longo do tempo", ponderou. Levy ressaltou ainda que ter como foco a inflação futura é mais importante para a tomada de decisões e isso deve ser levado em consideração na discussão sobre preços e contratos.

Retomada. Levy defendeu que o primeiro passo para o crescimento do País é manter as contas em ordem. O ministro voltou a defender o ajuste fiscal porque, segundo ele, o Orçamento e capacidade de tributação do Estado têm limites. Nesta terça-feira, o ministro já havia afirmado que acredita que, passadas as medidas do ajuste fiscal, o País voltará a crescer "rapidamente".

"Se por um lado a capacidade de tributação tem limites a partir dos quais começa a prejudicar a atividade produtiva, por outro, há expectativas concretas da população em relação à provisão de serviços públicos", afirmou. De acordo com ele, anseios pela melhoria dos serviços refletem os avanços já obtidos e "não tendem a desaparecer".

Nesse cenário, avaliou o ministro da Fazenda, está formado um dilema: por um lado, a capacidade do governo extrair recursos da sociedade para o financiamento dos serviços públicos é limitada e, por outro, as demandas pelos serviços tendem a crescer. A receita apresentada pelo ministro para conciliar essas duas realidades diante do que classificou de "inexorável" restrição orçamentária é a racionalização e priorização do gasto público, sem que haja a necessidade de crescimento "desmesurado" das despesas. 

Para o ministro, a racionalização do gasto é hoje o grande desafio para garantir o desenvolvimento econômico. "Temos que avaliar sempre cada programa", afirmou.

Na abertura do discurso, o ministro destacou que a economia brasileira alcançou nas últimas décadas obteve conquistas importantes que permitiram melhorias de bem estar sem precedentes à população. Levy ponderou, no entanto, que a despeito dessas conquistas novos passos devem ser tomados para manter a trajetória de desenvolvimento sustentado "tão ansiosamente" desejada pela população brasileira. 

Ele reforçou a sua bandeira de que a qualidade dos gasto é um compromisso do "nosso governo". "Em especial, um desafio permanente daqueles que receberam da sociedade a incumbência da gestão de recursos públicos". 

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