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Primeiro remédio para menopausa sem hormônio é aprovado

Agência americana aprova primeiro fármaco não hormonal para os incômodos do fim da menstruação

01 de julho de 2013 | 13h30

 SÃO PAULO - O órgão regulador da indústria farmacêutica nos Estados Unidos aprovou o primeiro remédio não hormonal para tratar dos males da menopausa, oferecendo uma nova alternativa de tratamento para milhões de mulheres.

Os incômodos da menopausa afetam 70% da população feminina durante o período do climatério e levam a uma queda da significativa da qualidade de vida, segundo a Organização Mundial de Saúde.

Os incômodos femininos da menopausa se caracterizam pela sensação de calor no rosto, corpo e seios. O novo medicamento poderá estar no mercado até novembro, informou a empresa farmacêutica Noven, que desenvolveu o fármaco, segundo reportagem do jornal espanhol El País.

O medicamento desenvolvido pela Noven será comercializado com o nome Brisdellee. Ele contém doses baixas de um antidepressivo composto de paroxetina - inibidor seletivo da serotonina (neurotransmissores encontrados em várias regiões do sistema nervoso central que têm relação direta com o estado de ânimo).

"Existe um número significativo de mulheres que sofrem incômodos durante a menopausa e que não podem tomar hormônios ou não querem tomar remédios que contenham hormônio", disse por meio de comunicado o médico Hylton Joffe, diretor da área de reprodução e urologia da  Food and Drug Administration, a agência americana que regula o mercado de remédios e alimentos.

Idade. A menopausa é uma mudança natural na vida das mulheres após a perda da menstruação, o que ocorre geralmente entre os 45 e os 55 anos.

A principal consequência é que o corpo da mulher começa a segregar menos estrógeno e progesterona - dois hormônios que tem relação com o processo reprodutivo.

Até hoje, os medicamentos aprovados pela FDA continham estrógenos ou uma combinação de estrógenos e progesterona. Antigamente a terapia hormonal básica consistia em reposição dos hormônios que o corpo deixava de produzir.

Esse tipo de tratamento começou a cair em desuso nos Estados Unidos em 2002, quando uma grande quantidade de estudos mostraram aumento do risco de doenças do coração e câncer de mama. Muitas mulheres passaram então a buscar alternativas em terapias naturais.

A decisão do FDA foi considerado uma surpresa por especialistas depois que um comitê da agência considerou, em março deste ano, por dez votos a quatro, que esse tipo de medicamentos não eram suficientemente efetivos.

Apesar desse resultado, a FDA não se deixou levar pela decisão dos seus especialistas, algo raro quando a votação é tão negativa. A FDA apontou que era necessário encontrar um tratamento sem hormônios, mas considerou que o Brisdelle é minimamente eficaz.

A FDA não detalhou sua decisão, mas avaliou sua aprovação com base em estudos que concluíram que as mulheres que haviam tomado o medicamento sofreram menos incômodos do que aquelas que foram submetidas ao tratamento com placebo - substância inerte do ponto de vista farmacológico utilizadas em pesquisas.

Pesquisas. Foram feitas duas pesquisas com 1.175 mulheres que sofriam de incômodos moderados e graves sete a oito vezes por dia ou 50 a 60 vezes por semana.

O período de tratamento foi de 12 semanas em um dos estudos e de 24 semanas em outro. As mulheres que tomaram o medicamento tiveram em média seis episódios de incômodos a menos enquanto as que receberam placebo tiveram quatro e menos do que o que tinham anteriormente.

Os efeitos secundários mais comuns do remédio incluem dores de cabeça, fadiga, náuseas, vômito, aumento do risco de hemorragia e possível redução da eficácia do tratamento com tamoxifeno para o câncer de mama, quando os dois medicamentos são usados de forma conjunta.

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