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Primeiro teste

O que a sociedade espera agora é que o rumo adotado inspire confiança e que a qualidade de governança seja firme

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2016 | 21h00

O governo Temer passou pelo primeiro teste político na madrugada desta quarta-feira, quando o Congresso aprovou a nova meta fiscal de 2016, o déficit de R$ 170,5 bilhões, cerca de 2,8% do PIB. É, conforme avançou o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, “meta realista” e definitiva, “para ser cumprida”, e não aquele pedaço de cortiça em que se assentou a política fiscal do governo Dilma, sujeita a bruscas flutuações, conforme o nível da água - e da enchente.

O governo conta agora com forte apoio político, fato de resto previsível, na medida em que desfruta de um período de graça. É o que deveria ser aproveitado para encaminhar as reformas, as medidas duras destinadas a garantir a recuperação das contas públicas e a reversão da trajetória hoje insustentável da dívida pública.

É uma condição relativamente curta ao cabo da qual o apoio ao governo começará a depender da apresentação de resultados. O que a sociedade espera agora não é necessariamente que a derrubada do PIB seja automaticamente substituída pelo crescimento econômico sustentado, mas que o rumo adotado inspire confiança e que a qualidade de governança seja firme.

Se cumprida, a decisão de fixar um teto para as despesas do governo central (que não poderão crescer mais do que a inflação do período), por si só, tende a levar as contas públicas ao equilíbrio, especialmente se o PIB retomar sua trajetória ascendente.

Há pelo menos cinco fatores que devem ajudar a recuperação da atividade produtiva e, por tabela, normalizar a área política. O primeiro deles é a volta da confiança. Se o empresário acreditar, os projetos serão desengavetados, os investimentos virão e, com eles, a recuperação da demanda e do emprego.

O segundo fator positivo é a acentuada melhora das contas externas, especialmente a tendência à zeragem do déficit nas transações correntes. O forte superávit das exportações, provavelmente de US$ 55 bilhões neste ano, aumentará a capacidade de importação e tende a puxar pelo otimismo.

Há um fator negativo que tem seu lado positivo. Trata-se da significativa capacidade ociosa da indústria. É negativo na medida em que acusa paralisação da atividade produtiva. O lado positivo é o de que há espaço para o aumento da produção sem a necessidade adicional de investimentos.

Este também é o momento de grande disponibilidade de mão de obra. O desemprego caminha para mais de 12% da força de trabalho. Basta contratar gente e acionar as máquinas para que o faturamento aconteça. (Veja o Confira.)

Além disso, o setor produtivo conta com disponibilidade de crédito cujo crescimento foi contido pela recessão. Mas os juros continuam elevados demais, como ficou confirmado pelo relatório das operações de crédito, divulgado nesta quarta-feira pelo Banco Central (veja o gráfico acima).

Enfim, o noticiário econômico volta a ocupar o espaço até recentemente tomado pelo noticiário político. E isso mostra que aumenta a probabilidade de que o País volte ao normal.

CONFIRA:

Piorando

O mercado formal de trabalho (com carteira de trabalho assinada) continua fechando vagas. Em abril, foram 62,8 mil, o que perfez 378,5 mil perdas no primeiro quadrimestre, como mostrou o relatório do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O saldo total ao fim de abril era de 39,3 milhões de empregados. 

Virada ainda demora

Não há perspectiva imediata de reversão do mercado de trabalho. A tendência é a de que o desemprego que chegou a 10,9% em março continue avançando para além dos 12%.

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