Primeiro texto da OMC revela dificuldades nas negociações

A Organização Mundial do Comércio (OMC) divulgou hoje o primeiro rascunho do que poderá ser a declaração ministerial da reunião de Cancún, que será em setembro. Na avaliação de diplomatas e ONGs, o texto, fruto de quase dois anos de negociações, traz mais dúvidas que decisões e não atende aos interesses dos países em desenvolvimento. "O documento mostra as diferenças que existem ainda nas posições dos países, o quanto ainda teremos que trabalhar para aproximar esses governos", afirmou o porta-voz da OMC, Keith Rockwell. No que se refere à agricultura e acesso a remédios, temas centrais para o Brasil, o rascunho apenas aponta que o ritmo para liberar tarifas deve ser decidido em Cancún, sem dizer como isso deverá ocorrer. "Vamos ter que preencher os vazios do texto de agora até Cancún e isso não será fácil", afirmou um representante do governo brasileiro. Segundo ele, parte da solução no setor agrícola dependerá de um entendimento entre a União Européia (UE) e os Estados Unidos. Em pelo menos três assuntos o Brasil poderá sair satisfeito com o texto. O rascunho aponta que os ministros devam aprovar a continuação dos estudos sobre a relação entre transferência de tecnologia e comércio e sobre dívida e abertura comercial, temas de interesse para o País. Mas a inclusão dos temas não agradou aos EUA, que em compensação ganharam a garantia de que os países continuarão a não cobrar impostos no comércio eletrônico. Para as ONGs, o tema mais polêmico do texto é sobre os investimentos. Para atender aos interesses da UE, Japão e Coréia, ele estabelece que a OMC determinará a modalidade das negociações no setor. Para a ONG Focus on Global South, a inclusão do item sobre investimento é uma prova de que a OMC está sendo tendenciosa em favor dos países ricos.

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