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Primeiros passos para investir em fundos

Deixar a ansiedade de lado e tomar atitudes um pouco mais conservadoras podem ser dois passos acertados para quem quer começar a investir em fundos. Esta é a opinião de Guilherme Roberto Ferle, gerente de fundos de renda variável do Banrisul (Banco do Rio Grande do Sul) e de Alexandre Póvoa, diretor de investimentos do ABN Amro Bank.Para esses profissionais, o investidor que está começando a formar sua carteira e possui uma quantia reduzida, de até R$ 5 mil, não tem necessidade de diversificação. "O dinheiro poderá ser aplicado em apenas um fundo, sem que haja grandes preocupações. Além disso, fica difícil picotar uma quantia pequena em vários fundos e carteiras", afirma Ferle, do Banrisul. De acordo com ele, quem não quer correr um grande grau de risco pode encontrar opções seguras no mercado. É o caso, por exemplo, do fundo referenciado DI (pós-fixado) e fundos de renda fixa prefixada. "Quando a Selic apresenta tendência de queda, os fundos prefixados costumam ser a melhor opção de investimento. Mas quando há avanço da taxa, no entanto, a recomendação são os fundos DI, pois o potencial de juros é melhor", considera Póvoa.Já quantias mais altas, em torno de R$ 200 mil, permitem diversificação, segundo Ferle. Mas, de acordo com ele, não dá para indicar uma cesta de investimentos sem conhecer um pouco do perfil do cliente. "Cada caso é um caso quando a quantia é grande. As opções são menos voltadas para as massas e o risco a correr pode ser um pouco maior", ressalta.Na realidade, não há uma receita de bolo a seguir na hora de investir em fundos, sejam eles de renda fixa ou variável. É que o dizem os gestores, concordando que o primeiro passo a ser dado é traçar o objetivo do que se espera com a aplicação e determinar com que urgência é esperado o retorno da aplicação. Outros pontos importantes a serem definidos antes de aplicar são a quantia disponível, a instituição que coordenará as aplicações e o risco que o investidor está disposto a correr. Defina suas expectativas antes de decidir aplicar"Fazer perguntas para si mesmo antes de optar pelos diferentes caminhos oferecidos pelas instituições financeiras também é um exercício muito útil", diz Póvoa. Alguns exemplos dados pelo diretor são: Estou investindo para quê? Pretendo me aposentar ou tenho tempo para esperar os rendimentos da maneira que desejo? Tenho aversão ao risco? Suportaria perder uma grande quantidade de dinheiro do dia para a noite? Tenho compromissos financeiros para cumprir? Em que período? Pretendo me casar ou espero ter dinheiro para fazer um curso no Exterior em dois anos?Isto é necessário, segundo Póvoa, porque a tendência é acreditar que os jovens são mais agressivos e que os investidores mais velhos são cautelosos, mas nada disso define a escolha por esta ou aquela aplicação. "Teoricamente um jovem milionário estaria preparado para perder dinheiro no caso de uma aposta na bolsa. Ele saberá que, no futuro, essa tendência deverá virar e ele ganhará uma boa quantia. Mas muitas vezes ele não suporta ficar no vermelho. Quando vê que a bolsa despencou, ele nem dorme", exemplifica. Mas, na realidade, de acordo com ele, são fatores subjetivos que determinam o tipo de investimento escolhido. "O que é preciso é ter disciplina", diz Póvoa. De acordo com ele, retirar os investimentos da bolsa em um momento de queda, por exemplo, é perder dinheiro. "Neste momento é que é a hora de ficar, quando os preços estão baixos, para que a quantia renda no futuro. Este é um exemplo de quem não está preparado para correr riscos", afirma.Ambos lembram, no entanto, que, quanto maior for a renda aplicada, mais atenção o investidor terá da instituição escolhida. "Em um banco de varejo, é difícil realizar um levantamento detalhado do perfil dos investidores. A instituição lança seu produto e os interessados a escolhem ou não, de acordo com suas necessidades", explica Ferle.Os próprios gestores têm, de maneira geral, uma relação impessoal com o investidor. "Dificilmente há um contato direto com o cliente em um banco de varejo. A interface é realizada pela agência", lembra o gerente. Para ele, é fundamental ouvir as orientações prestadas pela instituição financeira escolhida antes de fazer a aplicação para não ter nenhuma surpresa futura.Outra dica é comparar as taxas cobradas pelo administrador com as de outras instituições para não pagar mais caro por um produto, mas também é preciso verificar a tradição do banco. Um dos correntes erros na escolha da instituição é acreditar que é preciso estar vinculado a ela para investir. Na maioria dos casos, as instituições oferecem produtos para investimentos sem que seja necessário abrir uma conta no banco.

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