Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Principais bancos privados do País vão financiar cadeia produtiva da Amazônia

Itaú, Bradesco e Santander, com R$ 4,8 trilhões em ativos, vão usar recursos próprios, mas esperam que atitude gere uma mudança na postura do governo sobre o meio ambiente

Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

08 de dezembro de 2020 | 05h00

Com quase R$ 4,8 trilhões de ativos em mãos, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander Brasil vão utilizar recursos próprios para financiar cadeias produtivas da Amazônia como cacau, açaí e castanha. Ainda que não dependam de dinheiro público, cobram mudança de postura do governo Bolsonaro diante da expectativa internacional para que o Brasil reaja à degradação ambiental em curso.

O recado foi dado em conjunto por três banqueiros à frente dos maiores bancos privados do País: Candido Bracher, do Itaú Unibanco; Octavio de Lazari, do Bradesco; e Sergio Rial, do Santander Brasil. Em conferência virtual sobre a Amazônia, cujo objetivo é sensibilizar o setor financeiro e a iniciativa privada para apoiar a região, eles alertaram para os riscos que circundam o Brasil caso não mude de rumo sob a ótica ambiental, como o corte de investimentos internacionais e de crédito.

“Somos lembrados sistematicamente da responsabilidade ambiental em eventos no exterior. Há expectativa internacional para que o Brasil reaja à degradação ambiental”, disse Bracher. “Me sinto quase humilhado em ter de lembrar das consequências concretas: vai faltar investimento, vão cortar o crédito.”

O presidente do Itaú chamou atenção para o risco de o Brasil sofrer discriminação dos investidores externos caso não atente para a questão ambiental – o que já vem ocorrendo, principalmente, por parte dos europeus. Em junho, gestores de fundos ao redor do globo, com cerca de US$ 4 trilhões em ativos, cobraram do governo Bolsonaro uma ação para conter o desmatamento na Amazônia e quanto ao “risco sistêmico” da perda da biodiversidade e emissões de carbono para seus investimentos.

O alerta ambiental também foi direcionado ao universo privado. De acordo com o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari, empresas podem desaparecer caso não convirjam suas práticas para a agenda ESG, sigla para meio ambiente, social e governança, em inglês. “A empresa vai deixar de existir não só por incompetência. O cliente vai abandoná-la”, disse. “As pessoas não vão mais tolerar empresas que não tenham preocupações (ambientais)”.

Para o presidente do Santander Brasil, Sergio Rial, “não absorvendo as tendências do Planeta, investidores e clientes vão repensar o posicionamento em empresas do Brasil”. “Em fazendo isso, os investimentos são inquestionáveis.”

Segundo Rial, não só o Brasil deveria estar na liderança da agenda de mudança climática bem como o setor da pecuária, com líderes globais na cadeia bovina. “Existe a oportunidade para o Brasil continuar a fazer melhor na questão da rastreabilidade e melhorar a qualidade das terras hoje usadas de maneira extensiva.”

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