Ueslei Marcelino/Reuters
Guedes reafirmou ainda que a recuperação da economia precisa vir do setor privado. Ueslei Marcelino/Reuters

Principal política para as contas públicas agora é vacinação, defende Guedes

Segundo ministro, a imunização é a ação com maior retorno econômico e de saúde no atual momento, além de ser mais eficaz do que elevar dramaticamente os gastos do governo

Idiana Tomazelli e Anne Warth, O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2021 | 17h08

BRASÍLIA - A política fiscal mais importante no momento é a vacinação, disse hoje o ministro da Economia, Paulo Guedes, em evento promovido pelo Itaú. Ele destacou que a atividade econômica deve sofrer uma queda novamente, devido à nova onda da pandemia de covid-19, mas menor e mais breve do que o observado em 2020.

A reação do governo, defendeu o ministro, precisa ser via incremento da vacinação. Segundo ele, essa é a ação com maior retorno econômico e de saúde no momento, em vez de elevar dramaticamente os gastos do governo.

No ano passado, o governo gastou quase R$ 600 bilhões extras para combater a pandemia de covid-19. Neste ano, já estão autorizados R$ 44 bilhões para a nova rodada do auxílio emergencial, além de haver a previsão de R$ 9,8 bilhões para o programa que permite redução de jornada e salário ou suspensão de contrato de trabalhadores. O governo também tem reaberto créditos extraordinários do ano passado para aplicar recursos contra a covid-19, ou aberto novos em favor da saúde.

No evento, voltado a investidores internacionais, Guedes destacou que o governo quer prosseguir com reformas estruturais e reafirmou o compromisso com a reabertura da economia. Hoje, segundo ele, quase metade das trocas do Brasil são com “a área mais dinâmica do mundo”, em referência à Ásia.

O ministro citou recente decisão do governo de cortar 10% das tarifas de importação sobre eletrônicos e bens de capital. Segundo ele, esse movimento acaba pressionando o Mercosul a adotar a mesma medida na Tarifa Externa Comum (TEC). “Também temos feito movimentos unilaterais (de abertura econômica)”, disse.

Guedes reafirmou ainda que a recuperação da economia precisa vir do setor privado e que o governo segue comprometido com grandes reformas estruturais, como a administrativa e a tributária. “Estamos trabalhando duro para derrubar a dívida/PIB novamente”, afirmou.

Impostos

Guedes reafirmou hoje o desejo do governo de reduzir impostos cobrados de empresas e aumentar a tributação sobre dividendos. Hoje, o Brasil tem uma das mais elevadas cargas sobre companhias do mundo.

“Reduziremos impostos sobre empresas, não ligamos se os Estados Unidos estão aumentando”, disse Guedes em evento promovido pelo Itaú. Segundo ele, mesmo que o Brasil corte os impostos cobrados das empresas e os EUA aumentem, é mais provável que os dois se encontrem “no meio do caminho”.

Apesar da intenção, o ministro não deu prazo para a medida ser adotada. A mudança no “mix” desses impostos já foi estudada por governos anteriores.

Guedes se mostrou refratário a propostas que resultem em aumento de carga tributária, mas destacou que qualquer redução dessa carga precisa observar o déficit estrutural das contas brasileiras.

“Resistimos a algumas propostas de reforma tributária que resultam em aumento de impostos. Os impostos no Brasil são muito elevados, foram longe demais”, disse.

“Consideramos economicamente impróprio elevar impostos numa recessão. Preferimos controlar o crescimento das despesas. Agora, com economia recuperando, vamos ver qual é o déficit estrutural”, afirmou.

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Guedes fala em 'aterrissar' em novo programa social com fim do auxílio emergencial

Segundo ministro, próximo passo do governo é investir em 'um programa de renda básica familiar sustentável'; pagamentos da nova rodada do auxílio vão de abril a julho

Idiana Tomazelli e Anne Warth, O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2021 | 17h07

BRASÍLIA - O ministro da EconomiaPaulo Guedes, reafirmou nesta terça-feira, 6, a intenção do governo de “aterrissar” em um novo programa social após a nova rodada do auxílio emergencial - a previsão é os pagamentos sejam feitos de abril a julho. “Vamos aterrissar em uma ferramenta diferente, um programa de renda básica familiar sustentável”, disse em evento promovido pelo Itaú.

No ano passado, a equipe econômica tentou tirar do papel o Renda Brasil, como é chamada a reformulação do programa Bolsa Família. Para isso, mirou em revisões de despesas já existentes, como o abono salarial (espécie de 14º salário pago a trabalhadores com carteira que ganham até dois salários mínimos) e o seguro-defeso (pago a pescadores artesanais na época em que a prática é proibida).

O plano, no entanto, foi rejeitado pelo próprio presidente Jair Bolsonaro, que disse não querer “tirar de pobre para dar a paupérrimos”. A equipe econômica também cogitou congelar aposentadorias e mexer no seguro-desemprego, iniciativas que renderam uma ameaça de “cartão vermelho” ao secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues.

Após esses episódios, o plano do Renda Brasil ficou guardado nas gavetas da Economia. Desde a confirmação da nova rodada do auxílio emergencial, porém, a reformulação dos programas sociais voltou ao debate. Hoje, Guedes reconheceu que o Renda Brasil não foi politicamente aceito quando foi pensado em 2020, por causa das compensações necessárias, mas demonstrou confiança em resgatar o plano.

“Renovamos os programas (de auxílio), mas sempre com ideia de remover camadas gradualmente”, disse Guedes. Segundo ele, além do programa de renda básica, o governo planeja ajudar invisíveis com programas específicos, como a carteira verde amarela, que busca aumentar a empregabilidade reduzindo encargos pagos pelas empresas. “Queremos fazer inclusão produtiva de informações, que eles consigam emprego”, disse o ministro.

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