Yuri Gripas/Reuters
Yuri Gripas/Reuters

Principal risco para o Brasil é agenda econômica mudar após eleições, diz FMI

Para instituição, alteração da política econômica provocaria 'volatilidade de mercado e maior incerteza sobre a perspectiva de médio prazo'

Ricardo Leopoldo, correspondente, O Estado de S.Paulo

11 Maio 2018 | 14h39

NOVA YORK - O Fundo Monetário Internacional (FMI) apontou que “um grande risco” para o Brasil é uma alteração da política macroeconômica que pode surgir depois das eleições presidenciais deste ano.

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“Um risco chave, no entanto, é que a agenda da política pode mudar na sequência das eleições presidenciais de outubro, elevando a volatilidade de mercado e maior incerteza sobre a perspectiva de médio prazo.”

O FMI ressaltou que estima que o Brasil crescerá 2,3% em 2018, graças a condições externas favoráveis e recuperação do consumo privado e investimento. “A melhora da atividade levará a moderada deterioração das contas correntes”, aponta a instituição multilateral. As avaliações do Fundo foram manifestadas no documento Perspectiva Econômica Regional para o Hemisfério Ocidental divulgado nesta sexta-feira, 11.

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Inflação. O FMI espera que a inflação no Brasil deva acelerar gradualmente de 3% na direção do centro da meta em 2019, devido "a política monetária acomodatícia e aumento de preços de alimentos."

Em relação à gestão das contas públicas, o Fundo apontou que a consolidação fiscal no País continuou em 2017, com melhora da arrecadação de impostos e adiamento de despesas discricionárias. "O atual orçamento implica atuação fiscal expansionista em 2018 e consolidação fiscal começando em 2019, com reduções anuais de gastos do governo de 0,5% do PIB nos próximos 10 anos", apontou. "A reforma da Previdência Social, que foi adiada devido a desdobramentos políticos, é chave para assegurar tanto a viabilidade do sistema de pensões e sustentabilidade de finanças públicas."

Segundo o Fundo, reformar outros desembolsos obrigatórios, "como a lei de salário", é também importante para atender a regra de despesas constitucionais e assegurar a sustentabilidade fiscal.

De acordo com o FMI, o ciclo econômico positivo que o Brasil passa, que deve levar a um crescimento de 2,3% neste ano, "provê escopo para ajuste fiscal inicial e para implementar reformas estruturais para melhorar a alocação de crédito", abrir a economia, fortalecer a qualidade da infraestrutura e simplificar o sistema tributário.

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