Príncipe de Mônaco dá palavra final, e Cacciola será extraditado

Só faltava a decisão de Albert II; previsão é de que ex-banqueiro seja transferido para o Brasil nos próximos dias

Andrei Netto, de O Estado de S. Paulo,

04 de julho de 2008 | 09h51

O ex-banqueiro Salvatore Cacciola, detido desde 15 de setembro de 2007 em Mônaco, será extraditado para o Brasil. A decisão foi anunciada na manhã desta sexta-feira, 4, pelo governo de Mônaco ao Ministério da Justiça em Brasília, que confirmou a informação ao Estado de S. Paulo. Em 2005, ele foi condenado pela Justiça brasileira a 13 anos de prisão por crimes financeiros na gestão do banco Marka, que quebrou em 1999.  Veja também:Cacciola decide no fim de semana se recorre de extradiçãoEntenda o caso do ex-banqueiro Salvatore Cacciola  Extradição de Cacciola é 'derrota da impunidade', diz secretárioCorte européia nega recurso para impedir extradição de CacciolaCorte de Apelações de Mônaco aceita extradição de Cacciola "O diretor-geral de Justiça de Mônaco (cargo equivalente ao de ministro da Justiça), Philippe Narmino, informou ao ministro Tarso Genro que ainda hoje comunicará o governo brasileiro oficialmente, por via diplomática. Ele solicitou ainda informações sobre como se dará o retorno de Cacciola ao Brasil", afirmou o ministério em nota.  A decisão do príncipe Albert II é a palavra final do governo monegasco e homologa a decisão que havia sido tomada pelo Tribunal de Apelações de Mônaco em abril, também confirmada pelo Tribunal de Revisão do Principado na semana passada.  O próximo passo do governo brasileiro é organizar a transferência de Cacciola para o Brasil, o que pode acontecer a partir no prazo máximo de cinco dias. Para realizar a extradição, o governo brasileiro deve pedir auxílio da Interpol.  O secretário Nacional de Justiça, Romeu Tuma Jr. também confirmou ao Estado a informação e brincou com a situação: "O príncipe de Mônaco destronou o rei da impunidade", disse eufórico, referindo-se a Cacciola. Entenda Foragido desde 2000, Cacciola foi preso pela polícia de Mônaco em setembro do ano passado. A instituição financeira quebrou em meio à maxidesvalorização do real, em 1999, uma vez que, ao contrário da maioria do mercado, o Marka contraiu altas dívidas em dólar. Há três anos, o ex-banqueiro foi condenado a 13 anos de prisão por crimes de peculato (utilização do cargo exercido para apropriação ilegal de dinheiro) e gestão fraudulenta. Durante aquele período, o Banco Central socorreu o Marka e o FonteCindam com R$ 1,6 bilhão. O BC justificou a medida como necessária para evitar o que classificou de risco sistêmico para o mercado financeiro do País.

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