Prioridade ao investimento público só no ano que vem

Agora, o governo quer dar prioridade aos investimentos: é o que fica muito claro na entrevista que o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, deu à Agência Estado. O que não explicou são as razões que levaram a tardar tanto essa decisão, pois, desde que Dilma Rousseff assumiu a Presidência, o governo anuncia o ano dos investimentos.

O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2012 | 03h06

O secretário do Tesouro explica, em parte, o atraso na realização efetiva dos investimentos: era preciso implantar uma política de desoneração e reduzir as taxas de juros. Sem essas medidas não seria possível iniciar uma nova fase da política econômica com a prioridade atribuída aos investimentos.   O que o secretário não disse é que, desde que Lula assumiu o governo, a prioridade foi dada ao consumo e Dilma não mudou a orientação da política econômica. Tanto assim que se criou o problema da inadimplência decorrente do excesso de endividamento dos consumidores, enquanto o descasamento entre demanda e oferta se acentuava e era resolvido pelo aumento das importações.

Arno Augustin está certo na sua análise das dificuldades que a economia brasileira enfrenta: "Temos de fazer mais infraestrutura pública e queremos mais investimentos privados", afirma ele. São objetivos que consideramos essenciais desde que o PT assumiu o poder. Investimentos dependem de recursos financeiros. E, sobre isso, Arno Augustin tem uma posição firme: "Não há contradição entre mais investimento e a questão fiscal". Essa sempre foi a opinião do Estado, pois investimentos criam receitas, justificando-se que sejam financiados. O secretário vai mais longe quando explica que as receitas de concessões não irão para o caixa do Tesouro, mas para investimentos. Admite apenas captar mais dividendos das estatais.

Augustin sabe que há obstáculos a investimentos nas questões de regulamentação e de meio ambiente. São questões que, de fato, ainda não foram resolvidas. Mas também são obstáculos a incapacidade do poder público de administrar projetos com eficiência e o custo anormalmente elevado dos investimentos, que caberia ao governo reduzir a níveis razoáveis.

Quanto aos investimentos privados, o governo tem de se convencer de que voltarão a aparecer quando as perspectivas da evolução da demanda forem melhores. O que não se pode perder de vista é que a maior participação do setor público nas obras de infraestrutura certamente será fator decisivo para a volta da demanda.

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