Mike Segar/Reuters
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Prioridades dos novos presidentes do BB e da Caixa são vistas como positivas pela Moody's

Em relatório, a agência de classificação de risco reforça a concentração do foco dos bancos em negócios e segmentos do mercado que são mais relevantes para seus lucros

Fabiana Holtz, O Estado de S.Paulo

10 de janeiro de 2019 | 12h18

As prioridades anunciadas pelos novos presidentes (CEOs) do Banco do Brasil, Rubem Novaes, e da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, que incluem a racionalização das operações, são positivas para a nota de crédito das duas instituições.

Em relatório, a agência de classificação de risco observa que os planos das duas instituições incluem venda de ativos, racionalização das operações, devolução de aportes feitos pelo Tesouro Nacional e fortalecimento do seu controle de custos. "Os planos são positivos para o crédito porque concentram o foco dos bancos em negócios e segmentos do mercado que são mais relevantes para seus lucros, visto que BB e Caixa têm resultados defasados em relação aos seus pares privados Bradesco, Itaú Unibanco e Santander Brasil."

Aliado a isso, os planos também devem melhorar a posição de capital dos bancos ao desalavancar seus balanços e otimizar a composição de seus ativos ponderados pelos risco (RWA, na sigla em inglês). "A estratégia reforça a meta do novo governo de reduzir a participação do estado no mercado de crédito dos bancos e consequentemente diminuir o volume de empréstimo subsidiado, estratégia que foi amplamente promovida pelo governo federal entre 2009 e 2014", diz a Moody's.

A redução de tamanho dos bancos foi um dos temas citados por ambos os presidentes em seus discursos, observa agência. "Os bancos vão reduzir suas carteiras de crédito e concentrar esforços em negócios mais tradicionais de financiamento para os setores Imobiliário (Caixa) e do Agronegócio (BB), além de ampliar a venda cruzada de produtos financeiros entre suas respectivas bases de clientes."

No relatório, a Moody's ressalta ainda que a Caixa manterá a linha de crédito para pequenas e médias empresas (PMEs), como tem feito desde 2016. O banco também continuará atendendo o público de baixa renda, oferecendo uma série de produtos no segmento de crédito consignado que vai incluir cartão de crédito, um produto com alto potencial de crescimento. Além disso, a Caixa continuará diminuindo sua participação no financiamento de grandes corporações. Em 12 meses terminados em setembro de 2018 sua participação caiu 2,6%.

A participação combinada dos bancos públicos no mercado de crédito brasileiro tem diminuído desde o segundo semestre de 2016, após a deterioração da capitalização do BB e a Caixa em razão do forte crescimento no segmento de empréstimos entre 2008 e 2014. Essa menor participação também reflete a queda na originação de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em meio à redução significativa na demanda por empréstimos de longo prazo desde o início de 2015.

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