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Prisão de consultor da Fazenda surpreende governo

O ex-consultor técnico de assuntos econômicos da Secretaria da Fazenda de Santa Catarina Aldo Hey Neto, exonerado horas depois de sua prisão na quarta-feira pela Polícia Federal, em Florianópolis, representou uma grande surpresa para o governo estadual. Pessoa estranha ao círculo mais próximo do ex-governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB), que renunciou para concorrer à reeleição, era atuante na área específica de suas funções, conforme disseram na quinta-feira fontes próximas ao governo.Aldo Neto foi um dos 79 detidos na quarta-feira por suspeita de sonegação de impostos pela Operação Dilúvio. Em sua residência foram encontrados US$ 1 milhão e R$ 470 mil em dinheiro vivo. Ele havia sido convidado a integrar a equipe da Secretaria da Fazenda em abril de 2004, indicado pelo ex-colega Rodrigo Bornholdt, filho do secretário Max Borhold, um advogado tributarista que deixou a sociedade do escritório montado em Joinville para ocupar o cargo. Funcionário concursado da Secretaria da Fazenda do Paraná, o acusado transferiu-se para Florianópolis, com um salário mensal de R$ 5,5 mil e residência em Jurerê Internacional, praia no norte da ilha, onde são comuns as grandes caminhonetes nas garagens das mansões - como aquela que também foi apreendida.O ex-consultor - como especialista em tributação - tinha como missão procurar meios de melhorar a receita do Estado, de acordo com fontes do governo. Sua principal obra foi a criação do Compex, um programa de incentivo fiscal para importações e exportações, que estaria sendo usado para lesar o fisco. Na casa em Florianópolis, a Policia Federal apreendeu uma mala recheada com R$ 649,3 mil e U$$ 57,6 mil, supostamente enviados por um amigo para comprar uma casa na cidade. Outro R$ 1,3 milhão, em várias moedas, foi encontrado na sua casa de Curitiba, onde mora seu companheiro.Regresso De férias nos Estados Unidos, para onde viajou na terça-feira, o secretário Max Borholdt deve regressar ao Brasil entre sábado e domingo próximos. A comissão nomeada pelo governador Eduardo Pinho Moreira (PMDB), composta pelo procurador-geral do Estado, Ticho Brahe Fernandes Neto, pelo secretário da Agricultura, Alfredo Felipe da Luz, e pelo secretário de Coordenação e Articulação (antiga Casa Civil), Ivo Carminati, tem 15 dias para apresentar um relatório sobre as atividades de Aldo Neto no governo. Além disso, todos os contratos firmados por meio do programa deverão ser revistos.O outro preso em Florianópolis na quarta-feira foi o auditor fiscal da Receita Federal, Gumildes Rupert Ribeiro, candidato a deputado federal pelo PMDB, que teria ligações estreitas com Aldo Neto. O procurador do partido, Adelcio Machado dos Santos, informou na quinta-feira que, após analisar o caso, concluiu a prisão não altera a elegibilidade do candidato. "Por enquanto, o partido não pode fazer nada", disse o advogado. Os outros oito presos em Santa Catarina na Operação Dilúvio foram transferidos de Itajaí para se juntarem aos dois que já estavam na carceragem na superintendência regional da Polícia Federal.

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