Prisão de Esteves dificulta recuperação da Sete Brasil

BTG Pactual, sócioda empresa, é o responsável por negociar prorrogação da dívida bilionária com os credores

Mariana Durão, Antonio Pita, Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2015 | 22h21

RIO - Responsável por negociar a prorrogação das dívidas da Sete Brasil com os credores, o BTG Pactual passou de avalista a obstáculo no processo de reestruturação da companhia após a prisão de André Esteves.

A avaliação entre investidores e sócios da empresa, responsável pela construção e aluguel de sondas de perfuração para a Petrobrás, é que a reestruturação ficará ainda mais frágil e lenta, uma vez que não há sinais de um acordo com a estatal sobre a contratação das sondas e, agora, há um clima de desconfiança em relação ao principal interlocutor com instituições financeiras que aguardam uma solução para os débitos de mais de US$ 3,6 bilhões.

A incerteza quanto à reestruturação fará com que a fundação Petros, o fundo de pensão dos funcionários da Petrobrás, registre uma perda com os investimentos na companhia, a exemplo do que a Petrobrás já fez no seu balanço do terceiro trimestre.

Segundo apurou Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, a Petros já decidiu internamente registrar uma perda com o investimento. O fundo é um dos acionistas da Sete, junto com outros fundos de pensão de empresas estatais. Será o primeiro a reconhecer em seu balanço que o valor de mercado da Sete Brasil atualmente é inferior ao montante investido pelo fundo na empresa.

O tamanho da perda será “proporcional” à sua exposição à Sete Brasil e à baixa registrada pela Petrobrás em seu balanço, divulgado no último dia 12. A estatal registrou perdas de R$ 676 milhões, o que influenciou o prejuízo da companhia no terceiro trimestre.

Fragilidade. A revisão pelo fundo de pensão pode desencadear mais fragilidades sobre a reestruturação da Sete Brasil, que também será afetada pela prisão de André Esteves. Segundo fontes próximas às operações, a prisão mina a credibilidade do banco como principal articulador de um acordo com credores da Sete Brasil. Em outubro, o banco liderou a articulação que prorrogou a cobrança das dívidas vencidas naquele mês com estaleiros e bancos. O prazo foi estendido até o primeiro trimestre de 2016, após avaliação de que, pelo volume investido, não valeria a pena cobrar as dívidas e acionar garantias que não abarcam todo o financiamento.

Até a segunda-feira, a avaliação do BNDES, um dos sócios do projeto e também credor de empréstimos-ponte, era que a “situação financeira da Petrobrás poderia ser um obstáculo” ao negócio, ainda considerado “relevante”, segundo um executivo. Ontem, entretanto, fontes do banco avaliaram que a prisão de Esteves poderia “prejudicar” a negociação na Petrobrás, que “caminhava para um acordo”. Os impactos econômicos da prisão devem ser a tônica da reunião de diretoria do banco, que acontece na sexta-feira, 27.

 

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