Prisões marcam aniversário do Ocupe Wall Street

Na comemoração do primeiro ano do movimento, que teve repercussão mundial, manifestantes queriam impedir o acesso ao distrito financeiro de NY

NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2012 | 03h09

A polícia prendeu ontem mais de 100 manifestantes - dia do primeiro aniversário do movimento Ocupe Wall Street -, que planejavam fazer um "muro humano" impedindo o acesso ao distrito financeiro de Nova York.

O protesto, segundo seus participantes, era contra "o injusto sistema econômico que beneficia os ricos e as grandes corporações em detrimento do cidadão comum". Os manifestantes chegaram a bloquear algumas das vias de acesso à Bolsa de Valores de Nova York antes de serem dispersados e, em alguns casos, detidos pelos policiais.

O protesto atraiu bem menos manifestantes do que o grupo conseguia reunir no auge das manifestações no ano passado. A queda da participação popular é um desafio enfrentado pelo movimento para se manter vivo depois de ter levantado um debate nacional em torno das desigualdades econômicas.

O Departamento de Polícia de Nova York demarcou uma ampla área para permitir o acesso à bolsa apenas de funcionários. O policiamento foi também reforçado em grandes bancos e edifícios do governo, ao mesmo tempo que protegia a estátua símbolo do mercado financeiro, o famoso touro.

Gideon Orion Oliver, um advogado que representa vários manifestantes e presidente da sede em Nova York do Sindicato Nacional de Advogados, denunciou no Twitter a detenção de dezenas de pessoas.

Vários manifestantes carregavam cartazes, entre eles, um dizia: "Terminem com o Fed". Um outro trazia "Somos estudantes, não clientes", ou ainda "Feliz Aniversário".

"O que vivenciamos aqui no ano passado foi um processo que não pode ser detido", disse o ganhador do prêmio Pulitzer Chris Hedges. "O que se passou aqui vai significar o fim do estado corporativo", acrescentou.

Um dos momentos mais tensos do dia aconteceu quando centenas de pessoas marchavam pela Broadway. Quando o grupo se aproximava de Wall Street, um cordão de oficiais separou a marcha em duas partes. Momentos depois, policiais se aproximaram de um homem que gritava palavras de ordem contra a barricada de oficiais que protegia Wall Street. Eles puxaram o manifestante que gritava: "Eu não fiz nada".

Ao mesmo tempo, o cordão de policiais empurrava as pessoas, incluindo fotógrafos da imprensa, para longe de onde a prisão era feita. Os policiais ainda ameaçam os profissionais com cassetete, advertindo que não eram mais permitidas fotografias.

O movimento, que teve início no ano passado, se tornou famoso pelos acampamentos em Manhattan, que logo foram copiados em várias cidades dos Estados Unidos e da Europa. O Ocupe Wall Street voltou a pôr na agenda das autoridades o tema da injustiça econômica. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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