Privatização da Eletrobrás deve permitir ganho de eficiência

Diretor-geral da Aneel evitou citar qualquer cálculo de potencial impacto da mudança no sistema de comercialização de energia

Luciana Collet - O Estado de S.Paulo

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A privatização da Eletrobrás pode colaborar para a modicidade tarifária, no sentido de permitir a melhoria da eficiência da estatal, mas parte do processo, que prevê a descotização das usinas mais antigas da estatal, vai no sentido contrário ao da redução ou menor aumento das tarifas de energia.

Para o diretor, embora o sistema de cotas, implementado pelo governo Dilma Rousseff, possa ser questionado em alguns aspectos, traz um princípio justo que é o de alocar no consumidor os ganhos com uma usina já amortizada. Foto: André Borges/Estadão

A avaliação é do diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Romeu Rufino. Ele evitou, porém, citar qualquer cálculo de potencial impacto da mudança no sistema de comercialização da energia dessas usinas. "O impacto pode ser maior ou menor, não é bom usar um número sem ter cuidado de conhecer premissas, mas se renda hidráulica está sendo disputada, é porque é vantajoso", comentou.

Para o diretor, embora o sistema de cotas, implementado pelo governo Dilma Rousseff, possa ser questionado em alguns aspectos, traz um princípio justo que é o de alocar no consumidor os ganhos com uma usina já amortizada. "O consumidor pagou, é razoável alocar para consumidor o benefício", disse, criticando a decisão da União de arrecadar valores com a nova concessão das usinas, o que acaba por encarecer as contas de luz. "Não cabe à Aneel fazer a escolha, fizemos o leilão da Cemig de acordo com a política definida", disse.

++ Governo prevê arrecadar R$ 40 bi com a concessão de 57 projetos; veja lista completa

Segundo ele, embora a cota envolva riscos relacionados ao potencial déficit hídrico, que está alocado no consumidor e atualmente aumenta o valor da enegia, no longo prazo o patamar não é tão elevado.

Ainda assim, Rufino considera a privatização Eletrobras positiva pelos potenciais ganhos de eficiência que a empresa pode obter. "A ineficiência precisa ser estancada", disse. Ele citou que o grupo estatal tem tido dificuldade de gerir e entregar compromissos assumidos dentro do prazo, seja nos segmentos de transmissão como em geração, o que impactou "de maneira significativa, principalmente o consumidor", disse.

Conheça as principais privatizações anunciadas pelo governo

1 | 6 O governo anunciou nesta quarta-feira, 23, que incluiu 57 ativos públicos em seu plano de concessão para o setor privado. A medida integra a terceira reunião do Programa de Parceria de Investimento (PPI) e, na avaliação do secretário executivo da pasta, ministro Moreira Franco (centro), prevê melhora da qualidade dos serviços públicos com redução de custos. Foto: Beto Barata/PR
2 | 6 A privatização da Casa da Moeda, que inclusive emite passaportes, é prevista para o 4º trimestre de 2018. Um integrante da equipe econômica informou ao Estadão/Broadcast que o objetivo é evitar que o custo da empresa concorra com outras despesas públicas, como saúde e educação. Segundo o ministro Moreira Franco, secretário executivo do Programa de Parcerias de Investimento (PPI), a estatal vem tendo prejuízos sucessivos por conta do consumo menor de moeda. Foto: Agência Brasil
3 | 6 O aeroporto de Congonhas, segundo maior terminal brasileiro, foi incluído no programa de privatização. O ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil, Maurício Quintella, estima o valor da outorga em R$ 5,6 bilhões. Quintella classificou Congonhas como o "ativo mais importante" da Infraero, e disse que a estatal "não tem condições de fazer novos investimentos". O calendário do governo prevê que o edital para 14 aeroportos seja publicado no 2º trimestre de 2018 e o leilão para todos os terminais ocorra no 3º trimestre de 2018. Foto: Felipe Rau/Estadão
4 | 6 A outorga de concessão do serviço público da Lotex faz parte do Programa Nacional de Desestatização (PND) Foto: Daniel Teixeira/Estadão
5 | 6 Na fila. Término do asfaltamento da BR-163 é principal reivindicação Foto: Ascom/Ministério dos Transportes
6 | 6 O governo prevê ainda que no dia 27 de setembro aconteça o leilão das Usinas Hidrelétricas de São Simão, Miranda, Volta Grande e Jaguara, em Minas Gerais. Apesar da previsão, o leilão das usinas - que a Cemig ainda luta para manter sob seu controle - está sendo palco de uma disputa política e há uma indefinição sobre o que será feito. Foto: José Patrício/Estadão

Como exemplo de ineficiência, citou o caso da Amazonas Energia e o recebimento de recursos de fundos setoriais que está sendo questionado pela Aneel. Rufino lembrou o entendimento da autarquia de que a estatal precisa devolver recursos recebidos pelo suprimento de combustível num período em que a usina a ser abastecida não estava operacional.

"Se a companhia tivesse capacidade instalada para consumir (o combustível), poderíamos admitir que se pudesse repassar, mas por uma ineficiência da Eletrobras, nem capacidade tinha", comentou. A Eletrobras questiona a decisão da Aneel.

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