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Privatização dos Correios

Os Correios precisam de grandes investimentos para a modernização de sua estrutura, hoje fortemente sucateada

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2020 | 19h43

Ficaram para trás os tempos em que os Correios cuidavam de entregar cartas, telegramas e materiais impressos. Hoje, quase ninguém mais escreve cartas, cartões-postais ou cartões de boas-festas.

Com a implantação do Pix e de outros serviços instantâneos de pagamentos, até mesmo o envio de boletos bancários por via postal está com seus dias contados. Os correios eletrônicos e mensageiros como o WhatsApp e o Telegram passaram a cuidar da comunicação imediata entre pessoas e entre empresas.

E, no entanto, os Correios continuam essenciais na entrega de correspondências, documentos e mercadorias. A pandemia produziu uma explosão de demanda por serviços de entrega. Mas, em vez de ocupar esse largo espaço de mercado, os Correios no Brasil acumulam ineficiência, reclamações por extravio, por atrasos e por danos nas encomendas.

Os Correios precisam de grandes investimentos para a modernização de sua estrutura, hoje fortemente sucateada. Mais do que a repisada incompetência de sua administração, é a falta crônica de recursos do Tesouro para dar conta dos investimentos para a modernização que empurra os Correios para os capitais privados e para a desestatização, projeto antigo, mas nunca enfrentado com determinação.

No dia 14, o ministro das Comunicações, Fábio Faria, entregou ao presidente Bolsonaro documento que prevê a formatação de um esquema de privatização. Depois de passar pelo crivo da Secretaria da Presidência, o projeto deverá ser encaminhado ao Congresso para as decisões sobre o caso.

Os Correios são instituição antiga. Seus primeiros passos remontam a 1663, quando o Brasil ainda não passava de colônia de Portugal. A coesão nacional, precária naqueles tempos e também depois, não é inteiramente explicada sem a integração proporcionada pelos serviços postais. O Brasil foi o segundo país do mundo a emitir selos postais. A série Olho de Boi, a primeira a sair por determinação do imperador, em 1843, é uma das mais valorizadas pelos filatelistas. (Veja foto.) 

Foi o aprofundamento da crise da empresa e o empenho do setor privado em ocupar nichos novos que parecem ter tornado inevitável esse novo passo. Até agora não foram reveladas as diretrizes do projeto, se a empresa seria privatizada por inteiro  de uma vez ou se fatiada por região, como aconteceu com a Telebrás. Nem como ficaria a situação dos seus funcionários. Proposta de criação do Banco Postal não avançou. Mas o projeto já enfrenta enormes resistências, a começar pela da corporação dos seus funcionários, que temem perder as tetas do Estado.

O principal critério para nortear a definição não deveria ser nem corporativo nem ideológico. Deveria ser o interesse público ou, mais particularmente, a procura da eficácia de um serviço essencial para a população, num momento em que o mundo passa por uma revolução tecnológica e o comércio eletrônico ganha enorme impulso.

CONFIRA

» O Brasil e o PPC

O leitor Aloysio Bello pediu para incluir as estatísticas do Brasil na tabela comparativa entre China e Estados Unidos, publicada dia 16 de outubro na Coluna que leva o título ‘A China já é a maior economia do mundo’. A tabela mostra não apenas o tamanho de cada PIB convertido em dólares a cotações de mercado no período, mas também o PIB calculado pela Paridade do Poder de Compra (PPC). Este índice mede o tamanho da produção (e da renda) de um país, levando-se em conta o que o PIB pode comprar em sua própria moeda (e não em dólares). Nesse critério é que a China já ultrapassou os Estados Unidos e se tornou a maior economia do mundo. 

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