finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Privatização na Grécia é alvo de piada

Na Comissão Europeia, a piada que se conta é que, na Grécia, tudo está à venda e, se algum dia o Olimpo for descoberto, certamente entrará no processo de privatização. Os comentários podem ser considerados no mínimo deselegantes por parte da entidade que, em Atenas, é vista como responsável por seis anos de recessão e uma perda do PIB de cerca de 22%. Mas basta ver a lista de estatais e ativos que o governo grego pretende vender para se dar conta que o país está, de fato, se desfazendo de parte significativa de suas propriedades.

Jamil Chade, enviado especial/BARCELONA, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2013 | 02h15

A esperança de Atenas era arrecadar 50 bilhões com essas privatizações e vendas. Mas a experiência tem sido catastrófica. Em parte por conta da crise internacional, mas também diante da obrigação dos gregos de reduzir os preços das estatais para atrair comprador. Se não bastasse, o Fundo para o Desenvolvimento de Ativos da República Helénica, espécie de ministério da privatização, é acusado de corrupção.

A lista do que a Grécia quer vender tem refinaria de petróleo, estradas, portos, correio, mineradoras e terras na praia, além de 39 aeroportos. Neste mês, o governo vendeu 14 prédios públicos para a Eurobank Properties por 145 milhões, incluindo os edifícios do Ministério da Saúde e da Educação e o quartel geral da polícia de Atenas.

Uma das vendas planejadas era da praia de uma de suas costas, além de Rodes e Corfu. Quando os inspetores foram à região para começar a mapear o terreno, se deram conta de que existiam 7 mil casas que jamais haviam sido registradas. A venda foi cancelada.

A privatização também é alvo de acusações de corrupção. O chefe do organismo grego responsável pelas vendas foi pego em agosto viajando com um empresário que acabara de comprar por 652 milhões a Opap, empresa estatal de jogos, cassino e loteria. Para a oposição em Atenas, a empresa era a única que dava lucro para o estado. Em apenas um ano, a direção do organismo que gerencia as vendas das "joias da coroa" foi derrubada três vezes.

Em outro escândalo, Atenas vendeu o centro de imprensa e um shopping construído para os Jogos de 2004 por 81 milhões. O comprador foi o mesmo que, há uma década, ganhou contrato para construir a obra para a cidade.

Em Bruxelas, o que não é considerado como piada é o fracasso do programa de privatizações. Além das confusões burocráticas, os gregos descobriram que suas propriedades valem menos do que pensavam. Para 2013, o plano de vender ativos em 2,6 bilhões foi reduzido para 1,6 bilhão.

Há uma semana, um dos membros do Conselho Executivo do Banco Central Europeu, Joerg Asmussen, deixou claro a irritação da UE diante do caos da privatização na Grécia, alertando que sem a entrada desses recursos em 2014 o país poderá, uma vez mais, ser obrigado a pedir resgate. Em Atenas, economistas e sindicatos também atacam as vendas. Para eles, a pressa da UE na privatização força o governo a se desfazer de ativos que, num cenário econômico melhor, poderiam valer mais. "No final, quem perderá com tudo isso serão os gregos", disse Costas Melas, professor de economia na Universidade Panteion de Atenas. / J.C.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.