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"Problema do País é 100% político", diz Greenspan

O problema do Brasil é 100% político. Nao tem nada a ver com a economia. A avaliação é de ninguém menos que Alan Greenspan, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), ao ser abordado, informalmente, no sábado, durante o World Forum, com a pergunta sobre o que achava da situação da economia do Brasil. Greenspan sequer titubeou. O evento ocorreu na cidade de Beaver Creek, no Estado do Colorado. A mesma avaliação foi feita pelo ex-vice-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI) Stanley Fischer, que, no entanto, foi mais específico. ?As dúvidas estão todas concentradas no que Lula vai fazer, e tudo indica que ele vai vencer as eleições, gerando, portanto, este atual nervosismo?, disse Fischer, hoje vice-presidente do Citigroup. Fischer, como a maior parte dos investidores estrangeiros, não acredita que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) possa ter mudado. Acha que o seu discurso continua o mesmo, apesar da fala de seus assessores econômicos ser diferente. Ao ser indagado se a manutenção do discurso por Lula não seria uma estratégia do candidato petista para não perder votos, Fischer respondeu: ?Nós acreditamos no que ouvimos, e ele se diz contra as regras do mercado. Se pensa diferente, vai ter de dizer isso com todas as letras.? Para Fischer, que conhece e acompanha bem a trajetória da economia brasileira, não há nada a fazer contra o risco político hoje, além do que já está sendo feito pelas autoridades monetárias brasileiras. Com ele concorda o renomado economista e professor Allan Meltzer, que não acredita que recursos extras do FMI ou de qualquer outro organismo multilateral possam ajudar. ?Um candidato como Lula, que se diz admirador de Fidel Castro e de Hugo Chávez, não tem a confiança dos mercados?, raciocina Meltzer, frisando o que pensa sobre a ajuda a países emergentes. ?Nós só podemos ajudar quem já se decidiu sobre o que vai fazer, não podemos ajudar quem não se ajuda.? O fato é que nas conversas com executivos e economistas de Primeiro Mundo que participam do encontro fechado em Beaver Creek, confirma-se um erro estratégico do governo de Fernando Henrique Cardoso nestes últimos oito anos: a falta de um marketing internacional bem dirigido, organizado e sistemático. Confunde-se Brasil com Argentina. Ainda mais depois que o próprio presidente FHC declarou que o Brasil poderia virar uma Argentina, caso não tivesse uma boa administração. Lula é identificado com o presidente Hugo Chávez por muitos estrangeiros, como o empresário venezuelano Andre Sosa-Petri, da empresa Consorcio. Sosa-Petri foi senador, presidente da Petróleos de Venezuela e agora acaba de fundar um novo partido politico. ?Ensinaram o comandante a se vestir e a falar a língua dos mercados: até os americanos acreditaram nele e ele foi eleito, dando no que deu.? Os venezuelanos acreditam que tiram Chávez do governo até o fim do ano. Ou por meio de impeachment ou por meio de emenda constitucional, convocando novas eleições. O impeachment, segundo os venezuelanos, poderia ser pedido porque o destino de 25% do Orçamento do governo estaria mal explicado. OrganizaçãoFechado à imprensa, o 21.º World Forum, realizado pelo American Enterprise Institute, do ex-presidente Gerald Ford, impressionou pela organização e objetividade. Além de Greenspan, entre os cerca de 110 participantes deste ano estavam o vice-presidente Dick Cheney, o segundo homem do Tesouro, Kenneth Dam, a secretária do Trabalho, Eliane Chao, o secretário de Comércio, Don Evans, e a ex-representante de Comércio dos Estados Carla Hills. Empresários do mundo inteiro e economistas de renome também participaram do encontro ? Mario Garnero foi o único brasileiro. O tema do ano, a crise entre Israel e Palestina, trouxe de Israel o segundo homem de Ariel Sharon, Natan Sharansky, que, juntamente com Reza Pahlevi, filho do ex-xá do Irã, e que prepara sua volta ao país, centralizaram boa parte das preocupantes conversas, todas elas montadas de maneira a deixar os palestrantes e ouvintes à vontade. Outra presença destacada no Fórum foi o de uma nova personalidade do mundo dos negócios internacionais: a do russo Mikhail Khorodorsky, chairman da Yukos, empresa privada e segunda produtora de petróleo da Rússia. Talvez por causa do ar de informalidade escolhido (pelos corredores, a gravata foi abolida e substituída por mocassins, tênis, calças caquis e camisetas pólo), as conversas fluíram de maneira pragmática e foram bastante sucintas. A começar pela abertura do evento, feita pelo anfitrião Ford, que discursou por menos de cinco minutos. Até Greenspan, em sua fala programada, não passou de sete minutos, fazendo ali uma análise sem rodeios sobre o mercado acionário americano. A jornalista viajou a convite do World Forum

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