Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Problema é falta de carga, não preço do diesel, dizem distribuidoras

Segundo entidade que reúne BR Distribuidora, Raízen e Ipiranga, o maior problema para os caminhoneiros é a estagnação das vendas

Denise Luna, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2019 | 18h55

RIO - O presidente-executivo da Plural, Leonardo Gadotti, entidade que reúne gigantes como a BR Distribuidora, Raízen (joint venture entre Cosan e Shell) e Ipiranga (do Grupo Ultra), não vê problemas para a concorrência de mercado na nova alteração da política de preços da Petrobrás, anunciada nesta manhã. Segundo Gadotti, desde que os ajustes de preço não sejam previamente anunciados, e continuem tendo como parâmetro o mercado internacional, o mercado não será contra.

"Esse anúncio não quer dizer que a empresa mudou de política, ela se protege, vai se ressarcir com o tempo, os preços continuam livres com paridade internacional, e isso agrada o mercado", disse Gadotti ao Estadão/Broadcast.

Nesta terça-feira, 26, a Petrobrás anunciou que os ajustes do preço do diesel, que vinham sendo no máximo semanais, passarão a ser no mínimo quinzenais, o que permite à estatal manter o preço congelado por tempo indeterminado, apesar de negar que pretenda fazer isso. "A espinha dorsal não foi alterada", reforçou Gadotti.

De acordo com o executivo, que não acredita em uma nova greve de caminhoneiros pela alta do diesel - apesar dos rumores de que estaria sendo programada uma paralisação em 30 de março -, o caminhoneiro está sofrendo com a falta de carga por causa da estagnação do Produto Interno Bruto (PIB), e não pelo preço do diesel. Mais cedo, o líder dos caminhoneiros afirmou que o anúncio da Petrobrás não evitaria completamente uma greve.

"O preço do diesel não é problema, de janeiro a março, na média Brasil, subiu 3% na bomba (de abastecimento), enquanto o preço do diesel na refinaria subiu 21% no mesmo período. Isso mostra a beleza da concorrência, cada um segurou como pôde para vender mais", informou.

Já as vendas, segundo Gadotti, estão estagnadas no mesmo nível do ano passado, refletindo a crise econômica do País. "De 2009 para 2016 a frota de caminhões cresceu 35% e o PIB só encolheu depois disso ou cresceu pouco. Falta carga, esse é o problema", afirmou.

Também o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) Adriano Pires, avaliou que enquanto a Petrobrás se mantiver monopolista no refino não será possível separar sua atuação no mercado da atuação como instrumento de política pública. Ele afirmou que a mudança na política anunciada deve inclusive prejudicar a venda das refinarias.

"Se você não tiver essa sensibilidade política e fizer como o Pedro Parente dando ajustes diários, vai acontecer como aconteceu em maio, você sofreu uma intervenção de verdade", ressaltou Pires, se referindo à política de preços da gestão Pedro Parente que desencadeou uma greve de caminhoneiros, resolvida pelo governo com a demissão do executivo e uma subvenção ao preço do diesel.

O consultor lembrou que o diesel está subindo muito no mercado internacional, e que mesmo que não seja possível fazer proteção por um longo tempo através de hedge, como a estatal anunciou, o valor descontado será compensado em curto espaço de tempo, o que mantém uma certa concorrência no mercado mas não deixa de ser um artificialismo. "O cara que quer comprar a refinaria quer ter liberdade de ajustar o preço quando quiser, como quiser, isso agora é artificialismo", disse Pires.

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