'Problema na OGX não é de tecnologia', diz geólogo

Para especialistas da indústria do petróleo, deficiência da empresa está nos estudos geológicos

Wellington Bahnemann, O Estado de S.Paulo

02 de julho de 2013 | 02h10

O anúncio de que a OGX vai suspender o desenvolvimento de alguns campos e de que no ano que vem a produção do campo Tubarão Azul pode acabar surpreendeu especialistas da indústria de petróleo, sobretudo se for considerado o experiente corpo técnico constituído por Eike Batista para tocar a empresa.

No comunicado, a companhia informou ter chegado à conclusão de que não há "tecnologia capaz de viabilizar economicamente qualquer investimento adicional visando aumentar o seu perfil de produção".

Na prática, o que a OGX revelou é que as reservas de petróleo e gás estão espalhadas em pequenas estruturas não contínuas dentro dos reservatórios, o que demandaria um maior número de poços para a extração dos recursos.

"Isso não é um problema de tecnologia. Isso é um fato da geologia. A OGX terá de perfurar mais poços para produzir petróleo, o que pode ser antieconômico", avaliou o especialista em geologia da Universidade de Brasília (UnB), Carlos Jorge Abreu, acrescentando que o reconhecimento do problema neste momento demonstra uma deficiência dos estudos elaborados pela petrolífera.

Ainda no fato relevante, a OGX recomendou ao mercado que desconsidere suas projeções anteriores.

Para o especialista em exploração Pedro Zalán, da ZAG Consultoria, o anúncio de hoje revela que a OGX realizou essas projeções sem conhecer em detalhes as características geológicas dos reservatórios.

"É o reconhecimento de que os reservatórios são muito difíceis. A questão é que isso deveria ter ocorrido há muito tempo", comentou o Zalán, reforçando o entendimento de que a exploração em reservatórios compartimentados não tem dificuldades tecnológicas.

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