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Problemas com as teles

Tem muita gente insatisfeita com as operadoras de telecomunicações. E elas, é óbvio, sabem disso. "Vamos ser objetivos: não dá para imaginar que somos tão ruins quanto as pessoas acham que somos", disse Antonio Carlos Valente, presidente da Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil) e do Grupo Telefônica, durante o 57.º Painel Telebrasil, na semana passada em Brasília. "Os números mostram isso." Ele citou que as empresas recebem 400 reclamações por 1 milhão de clientes.

RENATO CRUZ, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2013 | 02h05

Os dados se referem à telefonia celular em fevereiro. Naquele mês, havia 263 milhões de clientes, e foram feitas 99.845 queixas à Anatel. Estatisticamente, pode ser pouco: 0,04%. Mas foram quase 100 mil insatisfeitos, sem contar as reclamações aos Procons, onde as operadoras costumam estar entre as líderes em queixas. E sem contar os consumidores que, apesar de enfrentar problemas, não chegam a reclamar.

"A cultura das operadoras ainda é do litígio", afirmou a superintendente de Relações com os Consumidores da Anatel, Elisa Peixoto, que também participou do evento. "É discutir a estrutura de advogados para dar conta das demandas dos Procons." Ela defendeu mais diálogo entre empresas e clientes.

O presidente da Telebrasil reconhece que o setor precisa melhorar. "Cabe a nós mudar essa percepção", disse Valente. O presidente da TIM Brasil, Rodrigo Abreu, acredita que as empresas precisam se aproximar dos consumidores. "Precisamos de um aumento de transparência no diálogo."

A situação das telecomunicações é paradoxal. A imagem ruim do setor convive com uma demanda crescente por serviços. No mesmo evento, a Telebrasil divulgou que o Brasil ultrapassou a marca de 100 milhões de acessos de banda larga no começo deste mês, o que representou um crescimento anual de 37%. Do total, 78,7 milhões eram acessos móveis e 21,3 fixos.

As duas coisas, no entanto, estão relacionadas. O crescimento acelerado acaba dificultando um atendimento satisfatório. Uma reclamação comum das operadoras é que a demanda por capacidade de transmissão de dados avança muito mais rápido que a receita. Pelo que disseram as empresas no evento, parece que as telecomunicações se tornaram um mau negócio.

No final do evento, a Telebrasil, que reúne operadoras e fabricantes, divulgou a "Carta de Brasília 2013", em que sugere medidas para incentivar o investimento e melhorar a qualidade e a disponibilidade dos serviços. O documento pede, entre outros pontos, desoneração tributária, liberação de fundos públicos setoriais e a aprovação do projeto de Lei das Antenas, para facilitar a obtenção de licenças.

Apesar das demandas, o atendimento ao consumidor é um problema urgente, e sua resolução não pode depender somente de medidas governamentais.

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