Problemas com dívida de Dubai derrubam ações na Europa

Conglomerado financeiro do emirado anunciou planos para reestruturar sua dívida de quase US$ 60 bilhões

TAMARA WALID E JEREMY GAUNT, REUTERS

26 de novembro de 2009 | 10h04

Problemas com a dívida de Dubai derrubavam as ações de bancos europeus nesta quinta-feira, 26, apesar dos esforços do emirado para minimizar o impacto dos planos de reestruturação de dívida de duas das maiores empresas da região. As ações de bancos, que subiram nos últimos seis meses em meio à expectativa de que o pior da crise econômica global já tivesse passado, caíam para as mínimas desde maio com o medo de uma exposição a Dubai.

O emirado, cujos projetos extravagantes têm ficado em compasso de espera desde o início da crise, afirmou na quarta-feira que vai pedir aos credores das empresas Dubai World e Nakheel para adiar o pagamento de bilhões de dólares em dívidas. Nesta quinta-feira, Dubai tentava devolver alguma confiança dizendo que a lucrativa DP World não será envolvida na reestruturação.

"Pode ser uma decisão para distinguir as companhias solventes das menos solventes, em uma tentativa de tirar peso das entidades com menos exposição", disse John Sfakianakis, economista-chefe do banco Saudi Fransi. "Isso não alivia inteiramente as preocupações do mercado, mas pode sinalizar o começo de um processo de reestruturação e recategorização".

 

Às 8h16 (de Brasília), a Bolsa de Londres perdia 1,75%, e Frankfurt recuava 1,94%. Mais cedo, às 7h10 (de Brasília), a Bolsa de Paris caía 2,0%. Embora todos os setores estejam no vermelho, bancos e mineradoras eram destaque de queda. Esses dois segmentos lideraram os ganhos na Europa este ano, com as mineradoras subindo 85% no ano até agora e os bancos, 50%. No mesmo horário, o euro caía 0,13%, a US$ 1,5092, enquanto a libra perdia 0,74%, a US$ 1,6547; e o dólar subia 0,38%, a 86,72 ienes.

O anúncio de quarta-feira fez disparar o custo dos seguros de dívida de Dubai e derrubou os preços dos títulos. A estatal Dubai World, conglomerado que atua nos setores de imóveis a portos, tem US$ 59 bilhões em compromissos, informou em agosto sua subsidiária Nakheel . Esse montante representa grande parte da dívida total de Dubai, de US$ 80 bilhões.

"Eu não teria pressa para falar em contágio. Qualquer coisa de Abu Dhabi e Catar tem o lastro de muito dinheiro. Dubai é muito mais alavancada", disse Youssef Affany, gestor de relações do Citi que é especialista na região. "Haverá algum tipo de solidariedade vinda dos emirados e do vizinho grande, Arábia Saudita", disse.

Analistas esperam que o apoio financeiro de Abu Dhabi, vizinho que é membro dos Emirados Árabes Unidos, mantenha Dubai respirando. Mas Dubai provavelmente terá que abandonar seu modelo econômico focado em pesados investimentos no mercado imobiliário e ingressos de capital estrangeiro.

O anúncio pareceu planejado para minimizar o impacto sobre os mercados regionais; ele ocorreu após o fechamento do mercado de ações e antes do longo feriado de Eid al-Ad, que fechará muitas empresas e escritórios do governo em Dubai até 6 de dezembro.

 

Ásia

 

O fechamento positivo em Wall Street na quarta-feira também não foi suficiente para garantir alta na Ásia. Na Bolsa de Tóquio, pesou nas ações de exportadoras o declínio do dólar para o menor nível em 14 anos ante o iene. O ministro das Finanças do Japão, Hirohisa Fujii, disse mais cedo a repórteres que é o "momento de acompanhar os mercados de câmbio cuidadosamente", em um sinal de que o Japão pode reforçar o monitoramento dos mercados cambiais. Mas operadores acreditam que o comentário não sinaliza uma intervenção imediata.

 

A Bolsa de Hong Kong, por sua vez, sofreu com o enfraquecimento dos bancos chineses. O índice Hang Seng caiu 401,39 pontos, ou 1,8%, e terminou aos 22.210,41 pontos.  As Bolsas da China mais do que devolveram os fortes ganhos da véspera e fecharam com queda acentuada. A possibilidade de um aperto na política monetária e os planos dos bancos de elevar capital continuaram a pesar no sentimento dos investidores. O índice Xangai Composto caiu 3,6% e encerrou aos 3.170,98 pontos. Já o Shenzhen Composto perdeu 3,5% e terminou aos 1.171,72 pontos.

 

(com Agência Estado)

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