Problemas da indústria vêm piorando desde 2012

Em 2012, ano em que sua produção caiu 2,3%, a indústria já tinha dificuldades para superar problemas que persistiriam nos anos seguintes, entre eles a pressão de custos. Mas, como mostrou a Pesquisa Industrial Anual do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada na semana passada, num período em que ainda predominavam expectativas de recuperação do setor, os empresários decidiram não só manter a força de trabalho, como elevaram as despesas com a folha de salários.

O Estado de S.Paulo

09 de setembro de 2014 | 02h03

Em relação a 2011, aumentou em 1,7% o pessoal ocupado total (de 8,63 milhões para 8,78 milhões) e a receita líquida nominal de vendas avançou 9,3% (de R$ 2,2 trilhões para R$ 2,4 trilhões). Os gastos com o pessoal cresceram de R$ 318,9 bilhões para R$ 353,5 bilhões (+10,8%, também em valores absolutos), em contraste com a elevação de apenas 4,7% (ou seja, inferior à inflação) do valor adicionado pela indústria.

O número de indústrias ativas passou de 312,4 mil, em 2011, para 328,7 mil, em 2012. Esse é mais um dado indicativo da percepção favorável dos empreendedores quanto ao futuro. A evolução dos resultados em 2013 e 2014 deverá mostrar a mudança dessa percepção, pois do ano passado para cá os problemas macroeconômicos ficaram mais evidentes.

Pelo critério de receitas líquidas, saíram-se melhor as indústrias de pequeno porte, com quadro de até 99 funcionários e que responderam por 14,8% das vendas, e as de grande porte, com mais de 500 funcionários e 68,3% das vendas. Em contrapartida, entre 2011 e 2012 diminuiu o peso das companhias de médio porte (com quadros de 100 a 499 funcionários), de 17,6% para 17% das vendas industriais.

O Centro-Oeste, graças à produção agrícola, e o Nordeste, graças a óleos combustíveis, gasolina, gás natural e refrigerantes, foram as regiões onde a indústria apresentou maior aumento de vendas (+18,9% e +13,4%, respectivamente), enquanto houve queda real na Região Norte (+1,4%). Nas Regiões Sudeste e Sul, as mais fortes no plano industrial, as vendas cresceram 8,5% e 6,1%.

Outra pesquisa divulgada simultaneamente pelo IBGE permitiu constatar as diferenças de comportamento entre a indústria em geral e a indústria da construção. Esta registrou, em 2012, crescimento expressivo, com avanço real das incorporações, obras e serviços de 10,1% reais. Só no segmento de construção de edifícios o número de empresas ativas aumentou de 32,3 mil, em 2011, para 42,7 mil, em 2012.

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