Problemas entre parceiros comerciais são naturais, diz Amorim

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, durante cerimônia de hasteamento da bandeira que marca a presidência do Brasil durante os próximos seis meses no Mercosul, disse que problemas entre parceiros comerciais são naturais. A avaliação refere-se às recentes barreiras impostas pelas Argentina às importações brasileiras de eletroeletrônicos. "Eu já fui embaixador no Gatt e na OMC por duas vezes e o que mais se via eram problemas entre o Canadá e os Estados Unidos. Não existem problemas entre Camboja e o Equador, porque não existe relação comercial entre eles", disse. Amorim afirmou que acredita numa solução negociada com a Argentina porque "há disposição política para isso".Segundo ele, ficou acertada para os próximos dias a realização de uma reunião entre empresários dos dois países, que será seguida de um encontro entre autoridades dos dois governos. Ele negou que deva haver prejuízos para a balança comercial brasileira. "Acho que a situação vai se resolver com entendimentos porque teremos de olhar esta situação de forma racional, mas sem premiar a falta de competitividade", afirmou Amorim. Sobre as ameaças argentinas de impor barreiras ao setor têxtil brasileiro, o ministro afirmou que espera que o acordo feito pelos dois países no passado continue a vigorar. Ele voltou a afirmar que confia nas negociações e que "essas coisas têm que ser vistas com pragmatismo". "Acho que há uma sobrevalorização dos problemas e uma subvalorização dos resultados positivos", criticou. Venezuela: só falta protocolar O chanceler Celso Amorim comemorou a entrada da Venezuela como membro associado do Mercosul. Segundo ele, só falta protocolar essa situação. A possível entrada do México no bloco como membro associado, segundo Amorim, também está próxima de se concretizar. Ele evitou falar em prazos, mas disse que isso ocorrerá logo que for concluído o acordo de livre comércio entre o México e o Mercosul. A ampliação dessas relações comerciais com países da América do Sul, segundo o ministro, pode ser atribuída em grande parte ao empenho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em estreitar relações. "Porque essas coisas não se fazem apenas com "blá blá blá". O presidente Lula foi várias vezes à Bolívia, à Colômbia e à Venezuela, por exemplo, e recebeu todos os presidentes dos países da América Latina", disse, ressaltando que o Mercosul vive agora um momento de grande avanço.Sobre o perdão da dívida da Bolívia com o Brasil, no valor de US$ 52 milhões, o chanceler disse que a medida foi tomada porque o Brasil tem grande interesse que os países vizinhos fiquem bem. Segundo ele, com o perdão, a Bolívia tem condições de tirar dos seus registros este débito, que ela já não teria condições de pagar, o que facilita a tomada de novos empréstimos internacionais. Também, segundo Amorim, foi oferecida uma linha de crédito do BNDES que servirá para as empresas brasileiras e bolivianas concluírem obras importantes para os dois países, como uma estrada e o futuro pólo gás-químico. "Então estes créditos não serão só para ajudar a Bolívia, mas também para empresas brasileiras".

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