ALEX SILVA / ESTADÃO
ALEX SILVA / ESTADÃO

'Problemas estruturais de décadas não se resolvem em um dia', diz Ilan

Presidente do Banco Central e o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, defenderam o ajuste fiscal e as reformas em evento da Febraban

Altamiro Silva Junior e André Ítalo Rocha, O Estado de S.Paulo

04 Dezembro 2018 | 15h05

O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, afirmou nesta terça-feira, 4, que problemas estruturais de décadas no Brasil não se resolvem em dias. "Se conseguirmos resolver problemas de décadas em anos, estamos fazendo um bom papel. O que se resolve em dias, provavelmente é insustentável, é algo mais na linha populista. É o contrário do que queremos para a sociedade", afirmou em evento de fim de ano da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

"O Brasil precisa continuar no caminho de ajustes e reformas, especialmente as medidas de ajuste fiscal, para manter a inflação baixa, o juro baixo e a economia em trajetória sustentável de crescimento", disse Ilan ao finalizar seu discurso. 

Reforma da Previdência

No evento, o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, fez um apelo para que o próximo governo comece o ajuste fiscal com a reforma da Previdência. "É o cerne do problema", disse.

Na visão do ministro, o Brasil ainda tem a chance de fazer um ajuste fiscal gradual e, sabendo de suas vulnerabilidades, precisa enfrentá-las antes que o cenário externo "fique ainda mais adverso". "Outras economias não conseguiram realizar um ajuste fiscal, e isso leva a medidas urgentes de curto prazo, que no Brasil acabariam reforçando as distorções que temos", disse Guardia, que ressaltou que, na reunião do G-20, o tom era de preocupação com 2019.

Na opinião de Guardia, seria um erro revogar o teto de gasto, que se tornou uma espécie de garantia aos investidores internacionais de que haverá algum controle de despesas. E, para que o teto seja respeitado, é necessário realizar a reforma da Previdência. "A manutenção do teto é crível pelos próximos quatro anos, pelo menos até o próximo governo", disse.

Para o ministro, a continuidade do processo de reformas vai exigir um diálogo entre os poderes Judiciário e Legislativo. Também afirmou que os governos estaduais precisam controlar os gastos, que ainda crescem mais que a inflação.

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