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Problemas técnicos e políticos afetaram leilão da BR-262

Traçado da rodovia, em trecho de serra, e baixo movimento no local, rodeado por agricultores familiares prejudicaram

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2013 | 02h12

"Bullying" de políticos sobre empresas, trama maquiavélica das concessionárias, pura e simples barbeiragem do próprio governo. Foi nesse espectro que variaram as explicações sobre a ausência de interessados na concessão da BR-262 no Espírito Santo e em Minas Gerais, numa semana que começou com a presidente Dilma Rousseff furiosa com as concessionárias e se prolongou em reuniões do governo com construtoras até a tarde de sexta-feira. "É como a queda de um avião, que não tem uma causa só, mas um conjunto delas", comparou o ministro dos Transportes, César Borges.

Nos bastidores, a informação é que houve uma forte pressão de políticos sobre a EcoRodovias. A empresa detém a concessão da BR-101 no Espírito Santo e, por isso, era tida como favorita à BR-262. Porém, na véspera do leilão, ela informou ao governo que não concorreria. Teria sido avisada que a rodovia seria um mau negócio e poderia enfrentar uma batalha nos tribunais como ocorreu com a BR-101. Com a saída da principal concorrente, as demais também teriam desistido. Consultada, a EcoRodovias não comenta.

Como tinha informações de que haveria concorrentes para a BR-262, o governo cogitou, num primeiro momento, que poderia ter havido conluio entre as concessionárias. Essa hipótese, porém, perdeu força.

Pedágio alto. Já o problema político no Espírito Santo pode não ser um fato isolado, na percepção do setor privado, e pode comprometer as futuras rodadas. "Ninguém quer uma concessão para cobrar pedágio caro e ser alvo de ataque de governador, de senador", disse um executivo. Outro empresário comentou que, com pedágio caro, há risco de o governo ceder ao populismo e baixar tarifas.

A BR-262 tinha tarifa básica de R$ 11,26 a cada 100 km. Em comparação, a bem-sucedida BR-050 previa tarifa máxima de R$ 7,87 a cada 100 km.

Além do valor do pedágio, outro fator explica a diferença entre as duas vias. Enquanto o trecho da BR-050 passa por uma região economicamente dinâmica, composta pelo sul de Goiás e o triângulo mineiro até a divisa com São Paulo, a BR-262 passa por uma área onde predomina a agricultura familiar. Existe, ainda, a diferença de terrenos. A BR-050 é plana, a BR-262 é na serra.

Assim, à medida em que avançou a apuração do governo, foi ficando claro que pequenas questões técnicas fizeram a diferença entre o sucesso e o fracasso dos leilões. Por isso, o trabalho agora é passar um pente fino em cada trecho para ver o que pode ser ajustado.

Para a 262, o governo já decidiu desfazer mal entendidos provocados pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Primeiro, esclareceu que se atrasar o trecho da duplicação da via, que está sendo feita com recursos públicos, o concessionário não terá prejuízos. Depois, que o canteiro central da via não precisa ter nove metros em toda a extensão. / L.A.O

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