Processo de gestão temerária do Nacional ainda vai ser julgado

O juiz Marcos André Bizzo Moliari, de 32 anos, da Primeira Vara Federal, disse acreditar que em 30 dias dará a sentença de outro processo do caso Banco Nacional, o de gestão temerária. A condenação dos ex-dirigentes do Nacional foi a mais difícil e importante da carreira dele, que passou os últimos três meses trabalhando na sentença de 585 páginas do processo. Segundo ele, no último mês, trabalhou de 7h à meia-noite, inclusive nos fins de semana.O juiz vem sendo muito criticado pelos advogados dos ex-dirigentes do Nacional e foi chamado de imaturo pelo advogado criminalista Nelio Machado, que defende o antigo controlador e ex-presidente do Banco Nacional, Marcos Catão de Magalhães Pinto.Moliari se defende das críticas e disse nesta segunda-feira que recebeu ?uma proposta indecente? de Machado há cerca de seis meses. ?Ele me fez uma proposta indecente, me convidou, em tom de brincadeira, para trabalhar em seu escritório de advocacia", disse, esclarecendo depois que isso não lhe pareceu um suborno, ?mas sim uma malandragem de advogado querendo conquistar a simpatia do juiz."Machado respondeu que de fato convidou Moliari para o seu escritório, mas que depois de ter visto a sentença concluiu que ?ele teria que entrar em um estágio muito inicial?.O juiz respondeu a outra crítica dos advogados informando que forneceu cópia autenticada dos fundamentos da prisão - necessários para o pedido de habeas-corpus - a todos os defensores dos condenados na sexta-feira. E deu, naquele momento, livre acesso a uma única cópia do processo, que ficou no prédio da Justiça Federal.De acordo com o juiz, nesta segunda-feira, quando a sentença seria lida, cada advogado receberia uma cópia. O juiz disse que os advogados têm o direito de fazer representação contra ele se acham que foram cerceados, mas no seu entender não houve cerceamento algum e ?tanto houve acesso dos advogados aos autos, que a imprensa divulgou as penas durante o fim de semana e filmou a sala cheia de advogados consultando a sentença?.Agora, a sentença está na página da Justiça Federal do Rio na internet. Moliari nunca fez audiência pública para ler sentença, mas afirmou que era praxe na Justiça Federal que o réu preso fosse chamado para ouvir a sua sentença. O juiz explicou que sabia que quando fosse feita uma audiência nesta segunda, os principais réus já estariam presos.O juiz afirmou também que sua participação nesses processos do Banco Nacional praticamente acabou, estando resumida a receber os pedidos de recursos ao Tribunal Regional Federal (TRF). Sobre o habeas-corpus, afirmou que ?decisão de Supremo se cumpre? e que não lhe cabe contestar. ?O Supremo vai julgar o mérito do habeas-corpus, provavelmente em sua primeira sessão depois do recesso e, se o Ministério Público de Brasília não ficar satisfeito, pode recorrer?, disse.

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