Processo sobre enriquecimento ilícito dos Kirchners termina

Patrimônio do casal cresceu de forma exponencial desde que chegaram à presidência

Ariel Palácios,

30 de dezembro de 2009 | 12h45

A presidente Cristina Kirchner e seu marido e ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007) não serão mais investigados pelas suspeitas de enriquecimento ilícito. A Vara Federal portenha anunciou o encerramento do processo que investigava o aumento exponencial da fortuna do casal presidencial, que entre 2003 - ano em que Néstor Kirchner tomou posse - e 2008 aumentou em 497%. Só no primeiro ano de governo da presidente Cristina (2008), o aumento foi de 158%.

 

A expansão patrimonial do casal, cujos bens - basicamente imóveis na província de Santa Cruz e na cidade de Buenos Aires - chegam a US$ 11,6 milhões chamou a atenção dos partidos da oposição, da opinião pública e dos analistas políticos.

 

A Vara Federal confirmou a decisão, tomada dias atrás, pelo juiz federal Norberto Oyarbide, que havia declarado que o casal Kirchner não tinha motivos para ser processado, já que o enriquecimento de ambos "não apresentava irregularidades".

 

O ex-presidente Kirchner, ao saber da suspensão das investigações sobre suposto enriquecimento ilícito, ressaltou que seu aumento de patrimônio está "justificado".

 

A decisão de Oyarbide não foi apelada pelo promotor federal Eduardo Taiano. A omissão do promotor foi encarada como uma atitude suspeita pelos líderes da oposição. A União Cívica Radical (UCR), o principal partido da oposição, anunciou que pedirá o julgamento político de Taiano.

Além disso, a decisão do juiz Oyarbide tampouco foi apelado pelo diretor da Promotoria de Investigações Administrativas (Fia), organismo que teoricamente deveria investigar os atos de corrupção ocorridos dentro do Estado argentino.

 

O ex-presidente Eduardo Duhalde (2002-2003) indicou recentemente que o aumento de patrimônio do casal Kirchner era "impressionante". Segundo Duhalde, ex-padrinho político de Kirchner (e atualmente um de seus principais inimigos) "quando uma pessoa chega à presidência da República, está pensando em seu crescimento ou em fazer empresas? Ele não possui tempo!".

 

Diversas pessoas do entourage dos Kirchners foram denunciadas nos últimos anos por suspeitas de enriquecimento ilícito. O grupo é chamado ironicamente de "La Pingüinera" ("A Pinguineira"), em alusão às origens patagônias de centenas de dezenas de pessoas que os Kirchners levaram para Buenos Aires quando chegaram ao poder em 2003.

 

Além do casal Kirchner, doze juízes federais estão investigando o poderoso ministro do Planejamento Federal e Obras Públicas, Julio De Vido (braço direito dos Kirchners na área econômica); o secretário de Energia, Daniel Cameron; o ex-secretário de Meios, Enrique Albistur; e o ex-secretário dos Transportes, Ricardo Jaime.

No entanto, nos últimos seis anos, um total de 130 processos que investigavam casos de corrupção dos funcionários kirchneristas foram arquivados ou encerrados.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.