Procon: 17º encontro discute qualidade de vida

Durante o primeiro dia do 17º Encontro Estadual de Defesa do Consumidor, promovido pela Fundação Procon-SP, órgão de defesa do consumidor ligado ao governo estadual, dois painéis serão apresentados: o primeiro, Consumo e Qualidade de vida, com divulgação de pesquisa inédita sobre o tema e segundo, Novas Tecnologias e Segurança do Consumidor - Transações Eletrônicas.Pesquisa sobre qualidade de vidaDurante o final de outubro deste ano foi realizada pesquisa qualitativa , com 55 entrevistas sobre o tema qualidade de vida. O advento da sociedade de consumo introduziu novas variáveis para a definição de qualidade de vida ou dos meios que necessitamos para alcançá-la. Existe uma correlação direta entre as possibilidades financeiras de um indivíduo e a sua qualidade de vida, mas será que todos entendem qualidade de vida como sendo alcançada da mesma maneira?Diante da dificuldade de conceituação foi proposta a realização de pesquisa qualitativa sobre o tema, ouvindo o relato de 50 entrevistados das diversas faixas sócio-econômicas, que puderam discorrer sobre o conceito de qualidade de vida, o que se necessita para ter que alcançá-la e como se insere o consumo nesta busca constante de bem estar.A pesquisa concluiu que as necessidades para as classes A, B, C, D/E são as mesmas, independentemente do estrato social, porém a conceituação de qualidade de vida é ampliado à medida em que se tem acesso aos produtos e serviços que satisfazem as necessidades básicas da população. O maior acesso ao consumo é tido como meio para poder ter qualidade de vida, mas não a garante.O conceito de necessidade básica é influenciado pela sociedade de consumo, tendo em vista itens como lazer, alimentação, facilidades domésticas, ficando difícil perceber onde termina a necessidade e começa o desejo.O medo da violência permeou a grande maioria das entrevistas, sendo citada pelo menos uma vez como impedindo a qualidade de vida. A falta de tempo também foi destacada como impedimento para a maioria.MetodogiaPara a pesquisa, foram entrevistas 55 pessoas, sendo 15 para as classes A, B e C e 10 pertencendo às classes D/E. Os entrevistados discorreram livremente sobre tópicos conceito de qualidade de vida, o que é, como alcançá-la, quando isso é possível e o que falta para atingir a qualidade de vida que se entende como adequada. Nesse tipo de pesquisa não existe questionário e os resultados não são dados em percentagens, mas em termos de tendências de comportamento ou opinião de determinada classe social.Para as classes de menor poder aquisitivo (D/E) ter qualidade de vida significa ter acesso ao consumo de produtos e serviços que garantam a satisfação de suas necessidades básicas (alimentos, medicamentos, casa ou terreno para construir, dinheiro para comprar "coisas importantes", tais como máquina de lavar, aparelho de tevê melhor, comprar ou trocar móveis e outros bens de consumo). O lazer também é citado por todos os entrevistados e consiste em: ir ao cinema, shows, bailes, ter um lugar para jogar bola (homens). Para as mulheres, especialmente as mais jovens, a compra de roupas é vista como muito importante, sendo possível "se tiver mais emprego", "se o salário for maior" e "se tivesse estudado mais".Para a classe C aumentam os bens de consumo que podem proporcionar qualidade de vida (automóvel, convênio médico e odontológico) existindo uma consciência de que o tempo é condição para que haja lazer (cinema, shows, praia, viagens para ver a família etc.). Mesmo quando o lazer é gratuito há necessidade de se ter algum dinheiro (sorvete, transporte etc.). A educação é vista como o passaporte para melhores salários e para poder se fazer o que realmente se gosta. São citados como necessários cursos de inglês e de informática. A falta de tempo é considerada como sendo também, a responsável pela má qualidade de vida.A classe B entende qualidade de vida como conseqüência de sua possibilidade de ter acesso aos bens de consumo que considera básicos (casa própria; escola; bom carro, mas também bom transporte público; convênio médico e odontológico, condições de uma vida saudável, tais como uma boa alimentação, academia, menos stress). O lazer é tido como essencial, sendo citadas viagens de férias, nacionais e algumas internacionais, sair com amigos etc. Há uma percepção de que só isto não bastaria, ainda que tivesse (considera que não tem), pois também seria necessário ter um ambiente saudável, sem poluição, sem ser vítima da violência direta ou indiretamente. Maior poder aquisitivo, melhor remuneração para o que faz, tempo para o lazer e para a família são as maiores queixas do que impede a qualidade de vida. Fiscalização dos serviços públicos e privados são condição para não ter sempre que discutir para conseguir ter seus direitos respeitados. Percebe-se preocupação em oferecer para os filhos mais do que a condição financeira permite, especialmente para os adolescentes, no sentido de que possam ter qualidade de vida no futuro.A classe A mostra mais claramente o que muitos entrevistados da classe B também demonstram quando conceituam qualidade de vida: consciência de que o acesso aos bens de consumo já lhes garante a possibilidade de ter qualidade de vida, porém percebem que isso não basta e ampliam o conceito para além do consumo, almejando auto-realização, liberdade, felicidade e paz de espírito.Segurança nas transações eletrônicasNo segundo painel, a expositora Dinah do Amaral Barreto, assistente de Direção da Fundação Procon-SP, levanta a existência de diversos estudos técnicos e artigos sobre sistemas de segurança bancária, mas nenhum dado a respeito do custo da insegurança bancária e do porquê desse fato. Faz um breve histórico do sistema bancário nos últimos anos, apontando o período em que aumentam investimentos em tecnologia visando diminuir custos e ofertar serviços rápidos e eficientes, sem a segurança necessária apara salvaguardar a vida e o patrimônio dos consumidores.São apresentados dados estatísticos de atendimento da Fundação Procon-SP sobre problemas com instituições bancárias relacionados com falhas bancárias nas transações eletrônicas. Aponta-se a necessidade da regulação, normatização e fiscalização por parte do setor público de forma geral e quanto ao segmento abordado.Destaca-se a resolução que o Código de Defesa do Consumidor Bancário, que restringe direitos já assegurados pelo Código de Defesa do Consumidor, bem como as deficiências dos órgãos que regulamentam o setor bancário.Fecha a palestra apontando o que seria necessário para se garantir um mercado mais equilibrado e com um mínimo de problemas de segurança aos consumidores: decisões mais harmoniosas entre o Conselho Monetário Nacional e o Banco Central e conseqüentemente menos encaminhamentos ao Poder Judiciário para garantia de salvaguarda de direitos dos consumidores usuários dos serviços bancários.

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