Procon-SP afasta funcionárias que aceitaram brinde

Presentes foram da Telefônica, campeã de queixas no órgão

Marcelo Rehder, O Estadao de S.Paulo

07 de dezembro de 2007 | 00h00

Duas funcionárias do Procon de São Paulo foram afastadas ontem por terem aceitado brindes - um relógio de mesa e um pen-drive - em evento patrocinado pela Telefônica, líder em reclamações de consumidores no órgão. Elas ocupavam os cargos de diretora-adjunta de Atendimento e de assistente de direção de Atendimento. Ficarão afastadas das funções até que seja concluído o processo administrativo aberto pela Secretaria da Justiça e da Defesa do Estado para apurar os fatos. "Não gostaríamos que a imagem do Procon ficasse prejudicada por um fato absolutamente isolado", comentou Roberto Pfeiffer, diretor-executivo da Fundação Procon-SP. "Somos proibidos, por normas internas, de receber presentes ou de participar de festas de confraternização com empresas", afirmou.No entanto, pelo menos duas funcionárias do Procon-SP participaram do encontro de intercâmbio de informações promovido pela Telefônica na quinta-feira, num hotel na capital paulista, que incluiu almoço de confraternização e sorteio de brindes, entre os quais dois aparelhos portáteis de DVD. O evento, chamado de "Quarto Encontro com os Órgãos de Defesa do Consumidor", reuniu mais de cem participantes, em sua maioria funcionários de Procons municipais, que são ligados às prefeituras locais.Os dois brindes recebidos pelas funcionárias do Procon-SP, ambos com a marca da Telefônica, foram devolvidos ontem à empresa, junto com um ofício do órgão. "Em relação aos Procons municipais, estamos providenciando uma recomendação expressa para que jamais aceitem presentes de empresas", informou Pfeiffer.A Telefônica liderou o ranking de reclamações de consumidores no Procon de São Paulo em 2006 (último levantamento disponível). Os serviços da empresa foram motivo de 2.262 queixas, equivalentes a 11% do total. Em seguida, vieram a Vivo (1.076) e a Embratel (916)."Temos agido com grande rigor em relação à Telefônica", afirmou o diretor do Procon-SP. "Já instauramos mais de 20 processos contra a empresa". Os motivos são vários, de cobranças indevidas e publicidade enganosa até falta de clareza nos contratos. Em alguns processos, a Telefônica foi multada em R$ 3 milhões, maior pena prevista pela legislação.A Telefônica informou ontem, por meio de nota, que vai constituir uma comissão interna para investigar o caso e apurar responsabilidades. Também informou que realiza reuniões periódicas com Procons para intercâmbio de informações. Isso permitiria o aprimoramento constante do atendimento e dos serviços prestados pela operadora.

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