Divulgação
Divulgação

Covid-19

Quem se recupera antes da crise: Europa ou Estados Unidos?

Procura fraca adia leilão de portos

Entrega das propostas por seis áreas no Pará que seriam leiloadas na quinta-feira foi menor do que o esperado pela equipe econômica

Eduardo Rodrigues, Lu Aiko Otta, Victor Aguiar, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2016 | 22h24

BRASÍLIA - Um importante teste do ânimo do setor privado em meio à crise política e econômica, o leilão de seis áreas em portos do Pará, marcado para a próxima quinta-feira, será adiado por 30 dias. Segundo fontes do governo, a entrega das propostas pelos interessados, marcada para esta segunda-feira, 28, foi menor do que o esperado. A maior parte das áreas ficou sem propostas, ao contrário do esperado. E, nas que receberam, a concorrência foi baixa ou nenhuma.

O adiamento ocorreu também porque uma falha no sistema da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) impediu que consórcios tivessem esclarecidas suas dúvidas sobre o edital. De 49 questionamentos entregues, apenas um foi respondido pela agência reguladora. Por isso, a decisão foi adiar o leilão e reabrir o prazo para esclarecimento de dúvidas.

Segundo reportagem publicada pelo Estado na semana passada, havia uma avaliação no setor privado que, embora os empreendimentos em si fossem bons, o interesse poderia ser afetado pelo ambiente político e econômico. Uma fonte disse que os estrangeiros tinham dificuldade em explicar o atual quadro para suas matrizes, a despeito do forte interesse nas áreas, que escoarão a produção de grãos do centro do País. O advogado Luís Felipe Valerim Pinheiro, sócio da VPBG Advogados e professor de Infraestrutura na FGV Direito em São Paulo, avaliou que o mercado estava “morno” e havia a sensação que os empreendedores estavam “de barriga cheia”.

Ainda assim, a avaliação predominante era que o leilão iria bem, embora longe da euforia que marcou a primeira rodada do Programa de Investimentos em Logísica (PIL). A área econômica, inclusive, informava que teria ofertas para todos os lotes. E sustentava que, a despeito da crise, o interesse continuava firme.

Não foi o que se viu. A reportagem do Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, esteve de plantão na entrada da BM&FBovespa, mas não conseguiu identificar a entrada de nenhum grupo representando potenciais investidores. Procurada, a assessoria da BM&FBovespa não confirmou a possibilidade de eventuais interessados terem usado outras entradas do prédio ou se foi autorizada a entrega da documentação em outros endereços.

A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e a Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP) também foram procuradas, mas não confirmaram a possível inexistência de interessados.

Na área técnica, falava-se também em um problema no edital como causa do adiamento. De fato, havia muita reclamação das empresas porque, da forma como estava redigido, o edital transformaria os concessionários em meros prestadores de serviço à União. Essa falha não foi corrigida, embora o ministro Helder Barbalho tenha acolhido a maior parte das sugestões apresentadas pelas empresas.

A própria situação do ministro dos Portos era uma incógnita. Candidato derrotado às eleições do governo do Pará em 2014, ele teria todo interesse em realizar o leilão. No entanto, Barbalho é integrante do PMDB, que pode oficializar hoje o “desembarque” do governo. Assim, ele só participaria do evento no dia 31 se prevalecesse o arranjo, proposto por alguns ministros do partido, de em caso de rompimento só entregar os cargos no dia 12 de abril.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.