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Procura-se cavalo de pau

"... Não tenho projetos políticos.Se me convidarem para qualquer cargo no setor público, passarei a examinar...", disse Henrique Meirelles à Coluna

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2015 | 21h00

Mais lembrado e falado do que há meses, o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles adotou a moita como estratégia. Mas não completamente. Conversa com muita gente, inclusive com o escrevinhador desta Coluna, mas conversa para desconversar.

“Ninguém falou comigo sobre essa história de assumir o Ministério da Fazenda. Já passei por muita coisa, fui durante oito anos presidente do Banco Central, estou bem onde estou, em tantas instituições privadas. Fico feliz por estar sendo lembrado, mas não tenho pretensões, não tenho projetos políticos. Se me convidarem para qualquer cargo no setor público, passarei a examinar”... firiri, firira. É o que diz a todos.

Meirelles garante que não existem as tais exigências, do tipo “só aceito se for em tais e tais condições”... As últimas aparições públicas que aglomeraram fotógrafos e repórteres, observa ele, não tem nada a ver com eventuais propósitos de se apresentar para o jogo. “São pura coincidência, foram agendadas há mais de seis meses.”

Enfim, mil boatos não produzem um fato, não há quem tenha quaisquer elementos para adiantar que Meirelles foi escolhido para ser o próximo ministro da Fazenda e conduzir a recuperação da economia. O que dá para dizer é que o atual ministro, Joaquim Levy, está tremendamente desgastado. Uma a uma, vai perdendo as batalhas do ajuste. E vai sendo obrigado a ouvir desaforos dos políticos. Quem tem de arrancar algum despacho de Brasília já não sabe com quem negociar.

Quando as coisas estão confusas, como agora, é difícil de hierarquizar os problemas. Até mesmo para quem quer afastar Levy do governo a questão principal pode estar mais acima. O núcleo duro do PT já entendeu que a enrascada da política econômica é sério obstáculo para seu projeto eleitoral, tanto em 2016 como em 2018.Por enquanto, o pressuposto de quem trabalha para a demissão de Joaquim Levy é o de que é preciso produzir um cavalo de pau, tanto na economia como na política.

É óbvio que Joaquim Levy não é o problema, até porque a política econômica que tenta emplacar não é dele, mas da presidente Dilma. Trocá-lo por Meirelles pode não ser muito diferente do que trocar seis por meia dúzia, como se diz.

Portanto, ninguém deve descartar a hipótese de que, mais cedo do que tarde, o mesmo núcleo duro do PT poderá concluir que, com Levy ou com outro, este governo é irrecuperável e que, se alguma coisa não mudar, o projeto eleitoral vai pro brejo.

Assim, talvez a conclusão do próprio PT seja a de que, nessas condições, é preciso recomeçar o jogo sem o passivo Dilma. Apresentar-se ao eleitor como oposição pode trazer mais resultados do que continuar como governo com a economia em desintegração.

O PMDB já parece ter adotado essa estratégia. O documento Uma Ponte para o Futuro, que prevê iniciativas consistentes para a recuperação das contas públicas, é parte dela.

Mas ainda falta um fato desestruturador que produza o desfecho. Talvez ele chegue nos próximos meses, quando forem conhecidas as dimensões do tombo do PIB e, mais do que este, o estrago do desemprego. Hoje ainda está nos 7,6%, mas dentro de mais dois ou três meses pode avançar para os dois dígitos. E isso mói.

CONFIRA:

O recuo do varejo em setembro, de 0,5% em relação a agosto, foi até comemorado, porque a expectativa era de uma queda ainda maior. Mas o quadro geral continua ruim. Reflete a queda do poder aquisitivo pela recessão, pelo aumento da inflação, pelo desemprego. Reflete, também, o excessivo endividamento do consumidor.

Não falta crédito

É um equívoco achar que a quebra das vendas do comércio acontece porque o crédito está reprimido. Não falta crédito. É o consumidor que não quer ou não está em condições de se endividar ainda mais.

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