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PROCURAM-SE DOMÉSTICAS. PAGA-SE BEM

Com falta de profissionais, salário vai a R$ 1 mil

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

14 de janeiro de 2013 | 02h05

Depois de seis meses procurando uma empregada doméstica, a advogada Andrea Garoni Sucupira teve de abrir mão de várias exigências para conseguir contratar uma profissional. "Tive de dar folga aos sábados, flexibilizar o horário de trabalho e ampliar o salário oferecido", conta.

Pressionado pela escassez de profissionais no mercado e pelo aumento do salário mínimo de 14% em 2012, o gasto com empregada doméstica foi o que mais pesou na inflação no ano passado. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o emprego doméstico aumentou 12,73% em 2012, mais que o dobro da inflação geral acumulada no mesmo período, de 5,84%, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Casada e mãe de duas crianças pequenas, uma de oito e outra de seis anos, a advogada tem uma jornada de trabalho longa: fica cerca de 12 horas fora de casa diariamente e precisa de duas empregadas domésticas, uma que dorme no emprego e outra que vai e volta, para administrar o lar. O problema é que Andrea ficou sem a empregada que vai e volta. Daí começou a peregrinação da advogada pelas agências de empregos domésticos em busca de uma nova profissional.

Durante o período que esteve à procura de uma nova empregada, ela conta que tentou contornar a situação com o serviço de uma faxineira duas vezes por semana e até contratou uma pessoa especializada para organizar as roupas da casa e o material de limpeza, por exemplo. Essa solução para organizar a casa foi adotada pela advogada para resolver a confusão provocada pelo teste realizado com várias profissionais. "Cada uma que chegava guardava as coisas num lugar diferente", lembra Andrea.

Quando começou a procurar uma nova empregada doméstica, Andrea queria que ela trabalhasse aos sábados até às 12h, oferecia R$ 750, fora a condução, além do registro em carteira. Depois de muita procura, descobriu que teria de oferecer sábado livre e um salário mais alto, de R$ 900. Além disso, reajustou o salário para a outra empregada que dorme na sua casa e que está com ela há quase 11 anos.

Perfil. "Não consigo recrutar uma profissional por menos de R$ 1 mil para uma jornada de segunda a sexta-feira de 8 horas diárias", conta Dany Chaves, sócia da agência Véritas, especializada em emprego doméstico. Ela diz que faltam profissionais hoje no mercado.

Com a abertura de vagas em outros setores de prestadores de serviços, como comércio e empresas de telemarketing, por exemplo, está ocorrendo uma migração de profissionais entre os segmentos.

Além disso, os níveis de desemprego hoje são os menores da história econômica recente, o que pressiona ainda mais os salários. "Hoje a taxa de desemprego está em 5,5%, que é um nível inferior à taxa de desemprego tida como natural", observa a economista do Banco Santander, Tatiana Pinheiro.

Segundo Dany, da agência Véritas, o perfil das trabalhadoras mudou. Dez anos atrás, 80% das candidatas tinham disponibilidade para dormir no emprego e hoje a maioria delas quer ir e voltar todos os dias. "Hoje tenho mais de 200 vagas para empregadas domésticas em aberto", diz Dany.

O fato de o mercado estar hoje mais favorável ao trabalhador fomenta comportamento inusitado. Andrea conta que, no primeiro mês de trabalho, a nova empregada já pleiteou o depósito do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). A contribuição ao FGTS para empregado doméstico ainda não é obrigatória, mas em breve deve virar lei. "Isso é reflexo de uma economia aquecida. Hoje as empregadas domésticas estão por cima da carne seca", diz Andrea.

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