Produção de aço cresce, puxada pela exportação

A alta da exportação se deve à entrada em operação da Cia. Siderúrgica de Pecém (CSP), no Ceará, voltada para o mercado externo

O Estado de S.Paulo

02 de maio de 2017 | 03h00

O setor siderúrgico no Brasil apresentou no 1.º trimestre do ano uma assimetria pouco comum. A produção nacional de aço cresceu 10,9% em comparação com os primeiros três meses de 2016, segundo o Instituto Aço Brasil, o que é um bom sinal. Contudo, esse avanço resultou da exportação do produto, que cresceu 17,4% no período considerado. As vendas internas de aço pelas siderúrgicas instaladas no País, ao contrário, caíram 0,5%. Mas a redução das vendas não significa que a demanda doméstica não tenha reagido. Ela parece até estar reagindo, pois o consumo aparente de aço (produção interna mais importações) teve crescimento de 5%, impulsionado pelas importações, que registraram aumento espetacular de 73,1%.

O Instituto explica que a alta da exportação se deve à entrada em operação da Cia. Siderúrgica de Pecém (CSP), no Ceará, voltada para o mercado externo. As demais siderúrgicas de diversas regiões do País são mais direcionadas para o mercado interno, no qual enfrentam uma poderosa concorrência do produto importado, e ainda exportam muito pouco.

As projeções do Instituto são de que o consumo aparente de aço no País alcance 18,7 milhões de toneladas (t) este ano, mais 2,9% em relação a 2016. Já a produção nacional atingiria, ao fim de dezembro, 32,5 milhões de toneladas, uma elevação de 3,8%. As vendas internas se recuperariam um pouco, avançando 1,3% em 2017, ficando em 15,7 milhões de t, patamar semelhante ao de 2006.

Para ganhar competitividade em mercados externos, a indústria siderúrgica reivindica que seja elevada de 2% para 5% a alíquota do Reintegra, que prevê restituição de tributos pagos na cadeia produtiva no caso de vendas externas. Com isso, afirma o Instituto, o nível de arrecadação tributária seria mantido, mas poderiam ser criados 400 mil novos postos de trabalho, injetando US$ 15 bilhões na economia. O Instituto também considera que o governo deveria incentivar a exigência de conteúdo local.

Quanto ao Reintegra, em face da política fiscal em vigor, é pouco provável que a sugestão seja atendida nesta fase. Já no tocante à exigência de conteúdo local, a tendência que se tem observado é de reduzi-la, não de reforçá-la. O que o setor pode esperar é que, com a aprovação das reformas propostas pelo governo, o custo Brasil diminua, permitindo ganhos de competitividade pela indústria em geral.

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