Produção de aço é o dobro da demanda do País

Com capacidade de produção de 42 milhões de toneladas de aço bruto ao ano, o Brasil teve uma demanda interna de apenas 20,7 milhões de toneladas no ano passado. O dado é considerado alarmante pelo presidente-executivo do Instituto Aço Brasil (IABr), Marco Polo de Mello Lopes. "Somos obrigados a exportar a um mercado que está superofertado lá fora. Há um excedente de capacidade no mundo de cerca de 600 milhões de toneladas."

Glauber Gonçalves, RIO, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2010 | 00h00

A produção nacional, no entanto, deve crescer nos próximos anos. Dados do IABr mostram que a construção de usinas, incluindo a CSA, vai acrescentar 7 milhões de toneladas este ano à capacidade de produção do País. A expansão do parque já existente deve somar mais 7 milhões de toneladas até 2014. Já os projetos preveem mais 21 milhões de toneladas até 2016, quando a capacidade total deve chegar a 77 milhões de toneladas.

Na avaliação de Lopes, o Brasil deveria seguir a política da China. "A China fez o caminho correto. Por muito tempo, importou enquanto crescia seu mercado. Hoje, tem um sistema balanceado, em que as importações e as exportações se equivalem." Segundo a Associação Internacional do Aço (WSA, na sigla em inglês), o consumo siderúrgico per capita aumentou quase dez vezes na China, de 1980 a 2008, quando atingiu cerca de 331 quilos ao ano. No mesmo período, cresceu de 100,6 quilos por habitante para 126 quilos no Brasil.

Para o analista de siderurgia e mineração Felipe Reis, do Santander, embora a CSA tenha sido projetada para atender o mercado externo, nada a impede de se voltar ao mercado interno, caso aumente a demanda no País. "No futuro, é possível que decida disputar esse mercado."

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