Produção de aço patina e volume de importação acelera

Crescimento em julho foi de apenas 0,1% ante o mês anterior, mas na comparação com julho de 2009, houve alta de 31%

Glauber Gonçalves / RIO, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2010 | 00h00

A produção de aço bruto no Brasil atingiu 2,9 milhões de toneladas em julho, um crescimento de apenas 0,1% ante o mês anterior, informou ontem o Instituto Aço Brasil (IABr).

O aumento veio acompanhado de queda nas vendas e elevação do volume de importados. Para o analista Rodrigo Ferraz, da Brascan Corretora, os indicadores são "bastante negativos" e indicam oferta ascendente em um mercado com demanda estável.

"As siderúrgicas e os clientes projetaram as vendas muito para cima. Isso gerou um grande estoque. Quando acabaram os pacotes de incentivo de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), as vendas caíram em termos de volume. Isso é um problema. O ideal é que estivéssemos com uma produção um pouco menor para acompanhar a demanda", avalia.

Nas vendas internas, o desempenho de julho foi de 1,9 milhão de toneladas de produtos, uma queda de 6,3% contra junho. Porém, na comparação com julho de 2009, houve aumento de 31,3%. As vendas acumuladas em 2010 totalizaram 12,7 milhões de toneladas, o que representou um crescimento de 52,3% contra igual período do ano passado.

Em relação aos laminados, a produção de julho foi de 2,4 milhões de toneladas, 4,7% superior na comparação com junho, e 28,6% acima do registrado em julho do ano passado.

Produção. Ainda segundo o instituto, com esse resultado de julho, a produção acumulada em 2010 totalizou 19,2 milhões de toneladas de aço bruto e 15,5 milhões de toneladas de laminados, o que conduziu a aumentos de 47,3% e de 53,7%, respectivamente, contra igual período no ano passado.

Enquanto avalia que o segmento de aços longos, usados na construção civil, vai bem, Ferraz afirma que a situação é delicada para o de aços planos, utilizados na indústria na fabricação de automóveis e de produtos da linha branca, como geladeiras. Esses são os itens que receberam isenção de IPI no início do ano.

"Criou-se uma antecipação de demanda. É como se você roubasse um pedaço das vendas que iam acontecer ao longo do ano e antecipasse, trazendo para os primeiros meses do ano", afirma.

"A pessoa que compraria um carro em outubro comprou em março para aproveitar as condições vantajosas", exemplificou o analista.

Vendas das usinas. De acordo com os dados do IABr, as vendas das usinas para o mercado externo totalizaram 501,8 mil toneladas em julho, o que representa um recuo de 35% contra julho de 2009.

As vendas para o mercado externo correspondem as já faturadas pelas usinas siderúrgicas do País. Ainda segundo o instituto, as vendas de laminados para o mercado externo caíram 48,8% em julho deste ano contra julho do ano passado, somando 184,8 mil toneladas.

Para Ferraz, ainda não é possível apontar as razões da queda nas vendas para o mercado externo. "O que pode estar acontecendo é o mercado internacional não está tão demandante, mas pode ser algo pontual. Para uma análise mais profunda é necessário ficar atento ao mercado nos próximos meses", afirma.

Importações em alta. O volume de importações, por outro lado, foi de 532,8 mil toneladas (US$ 494,8 milhões) em julho. No ano, atingiu-se 3,3 milhões de toneladas de produtos siderúrgicos importados, 152,2% acima do mesmo período de 2009.

"As empresas estão importando porque o preço lá fora está melhor", afirma Ferraz. Ele avalia que há espaço para queda de preços dos produtos do setor no País.

Desempenho

1,9 milhão de toneladas foi a venda para o mercado interno em julho, queda de 6,3% em relação a junho

12,7 milhões de toneladas são as vendas acumuladas em 2010

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