Produção de álcool cresce, mas não cobre consumo

A produção de álcool na safra 2002/03 na região Centro-Sul do País atingiu 11,15 bilhões de litros, 1 bilhão a mais do que na safra 2001/02, um crescimento de 9,93%. A oferta, no entanto, não foi suficiente para cobrir o consumo, inicialmente previsto em 11,2 bilhões de litros, mas que atingiu 11,9 bilhões.A União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica) informa em seu relatório, divulgado hoje, que previa uma queda de 600 milhões de litros no consumo de álcool, principalmente hidratado, por causa do sucateamento da frota de veículos.Mas o que se viu foi o aumento de 700 milhões de litros na demanda, que a entidade atribui ao uso não-convencional do álcool, como a mistura de anidro na gasolina além dos 25% previstos pela legislação em 2002, a conversão de carros a gasolina para álcool e a utilização pelo consumidor do ?rabo-de-galo? (abastecimento com álcool de veículos movidos a gasolina). A Unica justifica também o crescimento da produção de carros a álcool, que saltou das 18.335 unidades em 2001 para 56.068 em 2002.O aumento na demanda por álcool foi o motivo pelo qual a Unica pediu, em janeiro, a redução do percentual de anidro que é misturado à gasolina, de 25% para 20%, dois meses depois de dizer que tal medida não seria necessária. ?O surpreendente nessa safra foi o aumento do consumo de álcool, bem acima das expectativas do setor e do governo?, afirma o consultor da Unica, Antonio de Padua Rodrigues.A produção de álcool poderia ter sido maior. No início da safra, em maio de 2002, a Unica informou que o excedente da produção de cana da safra 2002/03, estimado entre 20 milhões e 26 milhões de toneladas, seria transformado em álcool. A idéia era formar estoques estratégicos e enxugar a oferta de açúcar, produto que naquele momento tinha baixos preços no mercado internacional, cerca de 5 centavos de dólar por libra-peso.Naquela época, também o governo acenava com a aprovação de recursos ainda no primeiro semestre para a formação dos estoques de álcool. Mas o cenário não ocorreu como previsto. Os preços do açúcar caíram, mas se recuperaram rapidamente, o dólar disparou e os recursos para estocagem atrasaram. Resultado: o excedente da cana que iria para a fabricação de álcool foi convertido em açúcar.Em novembro, o presidente da Unica, Eduardo Pereira de Carvalho, afirmou que o excedente de cana foi transformado em açúcar para exportação.

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