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Produção de alimento orgânico cresce 50%

A produção de alimentos orgânicos no Brasil tem registrado crescimento médio de 50% ao ano. Estima-se que no ano passado cerca de 3 mil agricultores orgânicos produziram perto de 300 mil toneladas de alimentos, livres de agrotóxicos, movimentando US$ 200 milhões. O vice-presidente-executivo do Instituto Biodinâmico (IBD), Alexandre Harkaly, disse hoje, durante encontro com produtores, em São Paulo, que esse aumento da produção tem se sustentado na qualidade dos produtos e no trabalho de confiança entre produtores e consumidores.Pelo menos 30 tipos de alimentos orgânicos são produzidos no País, com destaque para café (Minas), cacau (Bahia), soja, açúcar e erva-mate (Paraná), suco de laranja e frutas secas (São Paulo), castanha de caju, óleo de dendê e frutas tropicais (Nordeste), entre outros. Conforme Harkaly, a produção de alimentos orgânicos processados não se desenvolve no mesmo ritmo do cultivo da matéria-prima porque o número de empresas certificadas para a produção industrial no Brasil ainda é pequeno.Estima-se que, dos 350 certificados emitidos até o momento pela Associação de Agricultura Orgânica (AAO), apenas 12 correspondem a processo de beneficiamento. O IBD tem uma lista de apenas 15 empresas exclusivamente processadoras.No Brasil, entre os produtos orgânicos processados destacam-se o mel, compotas de frutas, café solúvel e torrado e moído, suco de laranja concentrado, e açúcar. Os produtos de origem animal, conforme Harkaly, ainda são pouco explorados por causa de problemas de falta de matéria-prima, legislação adequada e um trabalho de marketing.RegiõesA área ocupada com produção orgânica no Brasil alcança atualmente cerca de 275 mil hectares. Segundo Harkaly, a produção de 300 mil toneladas de alimentos livres de agrotóxicos pode dobrar nos próximos dois anos, considerando que 134 mil hectares estão em processo de conversão para orgânico. Mesmo assim, o resultado é baixo, levando-se em conta que no mundo existem cerca de 15,7 milhões de hectares cultivados organicamente, em cerca de 210 mil propriedades.A maior parte da produção nacional está localizada nos Estados do Sudeste (60,2%) e Sul (25,2%). Em seguida, vêm Nordeste (8,6%), Centro-Oeste (3,3%) e Norte (2,6%). Conforme Harkaly, os produtores orgânicos podem ser divididos em dois grupos: pequenos produtores familiares (90%) e grandes produtores empresariais (10%). Os grandes produtores (mais de 100 hectares) destacam-se na produção de frutas (principalmente citros) e frutas tropicais, além de cana-de-açúcar, café e cereais (milho e soja).Apesar disso, a parte mais significativa da produção orgânica vegetal (70%) vem basicamente de pequenos (até 20 hectares) e médios produtores (até 100 hectares). Harkaly diz que a pecuária orgânica começa a despontar em áreas extensivas, com destaque para Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul. Segundo dados do IBD, o total de bovinos em conversão ao manejo orgânico alcança cerca de 600 mil animais.CaféO vice-presidente do IBD afirma que o segmento de café orgânico é o que mais cresce no País, em termos de número de produtores. Estima-se que apenas em Minas Gerais, principal Estado produtor de café, existam certificados pelo IBD cerca de 50 cafeicultores. Segundo ele, outras certificadoras devem ter outros 50 produtores licenciados. Paraná, São Paulo, Espírito Santo e até Pernambuco também têm fazendas de café com certificado do IBD, mas Harkaly não soube precisar o número de produtores. Atualmente, 10 torrefadoras já conseguiram a certificação.O gerente de Produtos, Matijn Peters, da Café do Ponto Aralto, diz que a empresa lançou um produto orgânico torrado e moído há cerca de um mês. Segundo ele, o mercado nacional é pequeno, mas tende a crescer. Por enquanto, o produto é direcionado para o consumo interno e não há intenção de exportá-lo, pelo menos em médio prazo. O café torrado e moído e solúvel Native, da Usina São Francisco, de Sertãozinho, no interior paulista, já está há cerca de um ano no mercado. Conforme Hélio da Silva, gerente da empresa, o objetivo é lançar uma linha completa de matinais orgânicos. Já existem o açúcar, o café, e outros três produtos deverão ser apresentados este ano. Silva explica que o café orgânico Native é produzido em parceria com cinco produtores do sul de Minas, além do plantio próprio. A matéria-prima é processada na Cia. Mogi, de Mogi das Cruzes, também certificada pelo IBD.

Agencia Estado,

11 de junho de 2002 | 16h31

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